Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Prefeitura de SP entra em terrenos quando dono não é localizado para combater dengue

Haddad afirma que, em caso de locais que possam ter foco da doença, agentes de saúde não solicitam autorização judicial

Juliana Diógenes, O Estado de S. Paulo

17 Abril 2015 | 14h20

SÃO PAULO - O prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), disse nesta sexta-feira, 17, que os agentes de saúde e da vigilância sanitária entram em terrenos fechados ou baldios para combater a dengue mesmo sem autorização judicial quando o proprietário não é identificado.

"Se tiver uma área em que manifestamente tenha um foco, você pode inclusive pedir autorização judicial para isso. Em terreno fechado, quando não se localiza o proprietário, às vezes a Prefeitura entra mesmo sem autorização", afirmou. 

Até agora, segundo Haddad, não houve a necessidade de intervenção judicial. O prefeito descartou o uso do instrumento legal em caso de resistência dos moradores à entrada dos agentes. O índice de recusa, segundo a Prefeitura, é de 20% das casas visitadas.

A partir da próxima semana, as visitas dos profissionais de saúde para identificar e coibir focos do mosquito ganharão o reforço de 50 soldados do Exército, solicitados por Haddad para dar mais segurança aos agentes em bairros com maiores índices de violência. 

De acordo com o Comando Militar do Sudeste, o treinamento dos soldados será na quarta-feira, 22. O primeiro bairro a contar com o reforço será o Limão, na zona norte, um dos mais atingidos na capital. 

Os soldados entrarão em dupla com os agentes nas residências para identificar os criadouros do mosquito. "Estaremos sem armamentos. Este é um procedimento adotado em ações subsidiárias. Estamos atuando como mão amiga, desarmados", afirmou o coronel Ricardo Piai Carmona, chefe de Comunicação do Comando Militar do Sudeste. 

Segundo Haddad, o apoio do Exército vai garantir mais "respaldo" às operações. "Queremos usar esses profissionais mais qualitativamente. Porque, em alguns bairros, sobretudo onde há muita violência, a pessoa às vezes se recusa a abrir as portas para a Vigilância Sanitária", disse o prefeito. "Então, não é um problema quantitativo, é qualitativo. Se a pessoa (agente) está acompanhada de um soldado, o morador se sente mais seguro para abrir."

O prefeito fez ainda um apelo a organizações sociais interessadas em colaborar. 

Dados mais recentes do Ministério da Saúde indicam que São Paulo registra 12 casos da doença por hora. No primeiro trimestre de 2015, a cidade atingiu o triplo de casos do ano passado: 8.063, ante 3.183 no mesmo período de 2014.

Tendas. Nesta quinta-feira, a Prefeitura também instalou uma tenda na Lapa, zona oeste, ao lado do Hospital Sorocabano. Já são seis equipamentos em funcionamento, com capacidade para o atendimento diário de até 200 pessoas em cada um.

Na zona norte, há três: a tenda da Brasilândia, ao lado da Unidade Básica de Saúde (UBS) Vista Alegre; a da Freguesia do Ó, no Atendimento Médico Ambulatorial (AMA) Vila Palmeiras; e uma no Jaraguá, na AMA/UBS Elísio Teixeira Leite. Na zona sul, são duas em funcionamento: no interior da Subprefeitura de Cidade Ademar e outra anexa ao Hospital M'Boi Mirim.

Até a semana que vem, serão instaladas mais três tendas. Na zona oeste, haverá uma no Hospital Professor Mario Degni, no Rio Pequeno. A zona leste ganhará duas: na Vila Nova Manchester, no Carrão; e em Itaquera, anexa ao Hospital Professor Waldomiro de Paula.
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