Amanda Perobelli/Estadão
Amanda Perobelli/Estadão

Prefeitura de SP quer vacinar 2,5 milhões contra a febre amarela

Prioridade será para a população da zona norte, onde fica o Horto Florestal; mais quatro macacos foram encontrados mortos

Lígia Formenti, Paula Felix e Priscila Mengue, O Estado de S.Paulo

24 Outubro 2017 | 05h00

BRASÍLIA E SÃO PAULO - A Prefeitura de São Paulo pretende vacinar 2,5 milhões de pessoas contra o vírus da febre amarela. A intensificação da imunização ocorrerá na zona norte da capital, onde fica o Horto Florestal, especialmente dos bairros do Tremebé, Casa Verde e Cachoeirinha. Nesta segunda-feira, 23, o governo do Estado confirmou que mais quatro macacos foram encontrados mortos no parque, área na qual um animal já havia sido diagnosticado com o tipo silvestre da doença na sexta-feira passada, levando ao fechamento do horto e do Parque da Cantareira. As autoridades ainda apuram se os macacos foram mortos pela febre. 

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A corrida aos postos de saúde foi iniciada no sábado, quando começou a vacinação focada em moradores do interior e do entorno do parque. Na Unidade Básica de Saúde (UBS) do Horto e do Jardim Peri, além de uma unidade volante dentro do parque, 4,1 mil pessoas foram vacinadas no primeiro dia. Até segunda-feira, 12.818 foram vacinadas na região

Na manhã desta segunda-feira, a fila era de cerca de duas horas na UBS Horto Florestal, que atendeu 3,2 mil pessoas. A dose única está disponível na rede privada, com o preço médio de R$ 162. 

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O secretário municipal da Saúde, Wilson Pollara, disse que a situação representa um alerta. “Isso (a morte do macaco) significa um alerta para que a gente programe uma ação de vacinação da população. Inicialmente, vamos fazer essa vacinação em círculos do local que foi encontrado o animal. Vão ser vacinadas 500 mil pessoas dos primeiros 500 metros ao redor do local e, em seguida, nós vamos ampliando esse círculo até completar toda a região norte, que seriam 2,5 milhões de pessoas.” 

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A Secretaria Municipal de Saúde informou que há quatro postos oferecendo a vacina, número que "gradualmente" deve passar para 33. Também está em estudo a ampliação do horário de atendimento. 

Ricardo Barros, ministro da Saúde, disse que as mortes de macacos por febre amarela em São Paulo indicam que um novo ciclo da doença está por vir.

Para atender à demanda da vacinação, a pasta deverá enviar mais 1,5 milhão de doses para a cidade. “É para atender o fluxo da população”, disse. Há uma expectativa de que possa ocorrer um fenômeno semelhante do ao que ocorreu no Rio, quando houve uma corrida para vacinação mesmo em locais onde não era recomendada a vacina.

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Dos quatro macacos encontrados mortos, dois foram enviados para análises. Os outros dois primatas não poderão ser avaliados por causa do avançado estado de decomposição. 

Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, na primeira fase, a vacinação é indicada para pessoas a partir dos 9 meses de idade que residam a 500 metros do entorno dos parques do Horto e da Cantareira. Na segunda fase, a aplicação deve ser ampliada a residentes de um raio de um quilômetro dos parque. Já a terceira fase será definida "após uma nova avaliação epidemiológica".

Ciclo

“Não temos o ciclo urbano da doença desde 1942. Há ocorrências do ciclo silvestre sempre precedidas por casos em macacos. O macaco sinaliza que está tendo febre amarela, é um importante sentinela para que se faça a sinalização de risco de uma região, porque há um medo da reurbanização da doença”, explica Carlos Magno Fortaleza, infectologista do departamento de Doenças Tropicais da Faculdade de Medicina da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Botucatu.

Fortaleza afirma que, em casos de confirmação de morte pelo vírus, a imunização da população do entorno é suficiente para evitar um surto entre humanos. “Os mosquitos não têm autonomia de voo grande.”

 

Espera em fila de posto chegou a duas horas

Às 10h30 desta segunda-feira, cerca de 240 adultos e adolescentes aguardavam na fila de vacinação para febre amarela na Unidade Básica de Saúde (UBS) Horto Florestal, na zona norte da cidade de São Paulo. Junto a elas, havia ainda dezenas de bebês e crianças. As pessoas que estavam no início da fila relataram uma espera de duas horas, o que diminuiu para cerca de uma hora por volta das 11h30.

Por morar praticamente ao lado da entrada principal do Horto, a aposentada Conceição Carmo Lara, de 78 anos, foi se vacinar na manhã desta segunda-feira porque encontrou muita fila no fim da tarde de sábado. Também na fila, a secretária Marisa Gonzaga de Camargo, de 59 anos, e estagiária Nicolly Gonzaga Coelho, de 24 anos, e suas filhas Maryana, 4, e Vitória, de 6, contaram estarem “assustadas” com a notícia da morte do macaco, pois moram dentro do Horto.

Já o comerciante Nelson Santos Pedro, de 54 anos, e sua filha, a estudante de Farmácia Beatriz Oliveira Pedro, de 19 anos, resolveram procurar a UBS já no segundo dia de aplicação para garantir o acesso à vacina. “Quanto antes vacinar melhor, até porque leva alguns dias para fazer efeito, né?”

Além da região do Horto, o distrito de Anhanguera enfrenta uma intensificação na aplicação de vacinas contra a virose, que imunizou 35,5 mil pessoas desde 11 de setembro de 22 bairros da capital.

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