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Sob protesto de servidores, prefeitura do Rio recebe hospital

Funcionários do Rocha Faria são contra a administração por meio de uma organização social e querem garantia de permanência

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Alfredo Mergulhão,
O Estado de S. Paulo

11 Janeiro 2016 | 14h09

RIO - O Hospital Estadual Rocha Faria, em Campo Grande, na zona oeste da capital fluminense, foi transferido para o município do Rio de Janeiro sob protestos dos servidores concursados que trabalham na unidade de saúde, na manhã desta segunda-feira, 11. Eles são contra a administração por meio de organização social (OS), modelo de gestão adotado pela prefeitura. A municipalização ocorre no momento em que o governo estadual enfrenta grave crise financeira, o que resultou em colapso na rede de saúde no fim do ano passado. 

A principal reivindicação dos servidores é a garantia de permanência no hospital, após a chegada de uma OS para gerir todas as áreas da unidade. Nos próximos 180 dias, a gestão ficará a cargo da organização social Hospital e Maternidade Therezinha de Jesus (HMTJ). Nesse período, será realizado um processo seletivo para a escolha da OS que administrará o Rocha Faria pelos próximos anos. A HMTJ também gere o Hospital Estadual Albert Schweitzer, em Realengo, também na zona oeste, municipalizado na semana passada.

"Somos contra a transferência do hospital para o município dessa maneira, feitas às pressas, apenas para entregar o Rocha Faria para as organizações sociais. Quando as OS chegam, elas contratam outros funcionários, pagam mais para eles e os estatutários são remanejados. Não vamos aceitar isso", disse a presidente da associação dos funcionários do hospital, Clara Fonseca. 

Existem cerca de 3 mil funcionários no Rocha Faria. Segundo a associação, 1,3 mil são concursados. Os demais são empregados de cooperativas e da OS Pro-Saúde, que toma conta da maternidade do hospital. 

O secretário executivo de Governo da prefeitura do Rio, Pedro Paulo Carvalho, disse que a mesma OS à frente dos dois hospitais municipalizados, ambos situados na zona oeste, facilitará os processos emergenciais, como a aquisição de insumos em mais larga escala, o que resultaria em menor preço. 

"Eu me solidarizo com a situação dos funcionários e acho que eles devem procurar seus direitos. Mas esta é uma unidade que está se municipalizando. A negociação dos servidores estaduais deve ser feita com o governo estadual", afirmou Carvalho. 

Para efetivar a municipalização, cerca de 300 pacientes foram transferidos para outras unidades de saúde desde a última quarta-feira, 6, segundo a associação de funcionários. O secretário disse que 50 pacientes passaram por transferência nesta segunda-feira, quando apenas a maternidade funcionava plenamente.

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