Professora de Ribeirão Preto (SP) socorreu 3 com dengue em 2 meses

Entre abril e maio, Heloísa Duprat teve de ajudar o pai, o companheiro e a empregada

Brás Henrique, de O Estado de S.Paulo

16 Julho 2010 | 10h12

RIBEIRÃO PRETO - Os meses de abril e maio foram corridos para a professora Heloísa Duprat. Em um curto período de tempo, ela teve de socorrer a empregada, Pedrina Guimarães da Silva, o companheiro, Carlos Perin, e o pai, Tito Noronha, de 95 anos. Os três contraíram dengue, no bairro Lagoinha.

“Foi algo generalizado no bairro”, lembra Heloísa, que não ficou doente. Pedrina ficou uma semana afastada do serviço para se recuperar.

Apesar dos sintomas, o engenheiro civil Perin não pôde se afastar totalmente das fiscalizações das obras. “Eu ia trabalhar e, quando o corpo baqueava, eu voltava pra casa, descansava”, resume ele. “Fiz o que deu, mas a dengue deixa a gente ruim, sem fome”, acrescenta Perin, que ficou debilitado por dez dias.

Seu Tito foi o último da casa a contrair dengue e despertou mais cuidados da filha. Com idade avançada, ele ainda teve complicações de próstata e de pulmão no período. Heloísa precisou levá-lo ao hospital sete vezes, para hidratá-lo. A cada ida ao hospital, recebia o atendimento por cerca de 16 horas. Algumas vezes, assim que chegou em casa, precisou voltar ao hospital imediatamente.

Apesar dos exames feitos para confirmar a dengue, não sabem qual o tipo de vírus os deixou doentes. Na casa, todos os cuidados contra a proliferação do mosquito Aedes aegypti são tomados, como colocar cloro na água da fonte do jardim. Heloísa também abre as portas para a vistoria dos “agentes de vetores”, que verificam se há focos de dengue.

Mas, neste ano, os agentes apareceram pela primeira vez só no final de maio, após os casos de dengue. Heloísa diz esperar que a vistoria passe a ser mais frequente e eficaz.

Ribeirão Preto viveu neste ano a sua pior epidemia de dengue. Até ontem haviam sido confirmados 26.776 casos da doença. Sete pessoas morreram na cidade: três casos foram de dengue hemorrágica e quatro de pessoas com outras doenças agravadas pela dengue.

Durante o pico da epidemia, eram tantos casos que os exames de sangue deixaram de ser feitos para confirmar a doença. O analista de licitações Mauro Bidoia, que contraiu a dengue em março, procurou um hospital, mas saiu de lá sem o exame laboratorial. Recebeu prescrições e passou uma semana em casa, com dores pelo corpo e de cabeça e manchas na pele.

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