Nilton Fukuda/Estadão
Nilton Fukuda/Estadão

Programa Mais Médicos não vai recrutar estrangeiros em 2015

Segundo ministro da Saúde, Arthur Chioro, as vagas disponíveis nesta etapa já foram preenchidas por profissionais brasileiros

Lígia Formenti, O Estado de S. Paulo

14 Maio 2015 | 10h41

Atualizado às 20h36

BRASÍLIA - O Mais Médicos não vai recrutar neste ano profissionais cubanos. Todas as vagas que haviam sido abertas para ampliação do programa foram preenchidas por médicos brasileiros, formados no Brasil e no exterior. “A tendência é que não precisemos fazer novos convênios”, afirmou o ministro da Saúde, Arthur Chioro, ao apresentar os resultados da seleção de médicos brasileiros formados no exterior.
Os resultados obtidos em 2015 são bem distintos do histórico do programa, iniciado em 2013, que até agora teve a maior parte da sua mão de obra preenchida por médicos recrutados por meio do acordo de cooperação firmado com a Organização Pan-Americana de Saúde (Opas). Dos 14.462 profissionais que atuam na iniciativa, a maioria é formada por profissionais contratados pelo convênio: 11.429 médicos. Outros 1.846 são formados no Brasil e 1.187 têm diplomas obtidos no exterior.

Pela lei, a contratação de profissionais é feita em ciclos. A preferência é dada para médicos com diploma obtido no Brasil. Em seguida, vagas remanescentes são oferecidas para brasileiros que se formaram no exterior. Na terceira fase, vêm os estrangeiros com interesse em ingressar no programa e, por fim, profissionais recrutados por meio do convênio firmado com a Opas.
O maior interesse de profissionais brasileiros é resultado da combinação de dois fatores. Para atrair os médicos formados no Brasil, o governo passou neste ano a ofertar um bônus para a residência médica. Depois de um ano participando do programa, profissionais passam a ter direito a 10% a mais na nota da prova - algo extremamente atrativo, diante da alta concorrência para os cursos.
Pesou ainda a maior calma nos ânimos entre governo e associações médicas. Entidades de classe faziam críticas severas ao programa, quando foi lançado, por considerá-lo ineficaz e, principalmente, porque ele dispensava a exigência da validação do diploma para profissionais graduados no exterior. Desde o fim do ano passado, Chioro passou a fazer um esforço para a reaproximação com as entidades.
Abrangência. Com a expansão do programa, o Mais Médicos passa a ter 18.240 profissionais, alocados em 4.058 municípios e 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas. Nesta última rodada de contratações, para profissionais brasileiros formados no exterior, foram escolhidos 387 profissionais. 
“A partir de agora, faremos reposições trimestrais”, disse Chioro. Não há previsão para este ano para uma nova expansão do número de vagas ou de municípios contemplados pelo programa. “Atingimos a meta que havia sido estabelecida.”
Em março, Chioro foi ao Congresso para pedir apoio contra um decreto legislativo proposto pelo PSDB que previa o fim do convênio com Cuba. Na época, o ministro ressaltou que isso poderia causar “o fim do programa Mais Médicos”.

Mais conteúdo sobre:
Mais Médicos

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.