Fabiana Cambricoli/Estadão
Fabiana Cambricoli/Estadão

‘Quem cuida do dia a dia é o superintendente’, diz provedor da Santa Casa

Há 6 anos como provedor, ele critica antigo, diz que não pensa em deixar cargo e culpa atendimento por crise

Entrevista com

Kalil Rocha Abdalla

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

18 Dezembro 2014 | 03h00

À frente da Santa Casa há seis anos, o provedor da instituição, Kalil Rocha Abdalla, diz acreditar que, ao contrário do que apontam auditorias, o maior problema da instituição está no déficit provocado pelo elevado número de atendimentos da rede pública. Diz ainda que seu maior erro foi ter confiado no antigo superintendente da entidade. Abdalla concedeu entrevista exclusiva ao Estado, após reunião com a Mesa Administrativa da Santa Casa, em que defende sua gestão e diz que não pensa em deixar o posto. 

O senhor foi questionado pela Mesa Administrativa sobre a crise e sobre a auditoria?

Comecei falando do que se tinha passado no dia em que recebemos a visita do secretário (Estadual da Saúde, David Uip), em que recebemos um resumo da auditoria e percebemos que tem coisas incompletas. A auditoria fala que temos um passivo de R$ 800 milhões, quando na verdade é de R$ 450 milhões, porque eles não contaram o ativo. Achei essa auditoria muito falha. Eu não tive o relatório final, tive alguns pontos. Um deles fala que o remédio custava tanto, mas isso é uma afirmativa de uma médica do ano de 2005, quando eu nem estava na Provedoria.

Mas o secretário David Uip diz que há problemas nos contratos com a Logimed, fornecedora de medicamentos.,,

Quem tomava conta disso era o antigo superintendente (Antônio Carlos Forte, que saiu em setembro). O provedor tem a gestão maior, mas quem cuida do dia a dia, quem fala com funcionário, quem verifica as coisas, é o superintendente, e, no caso, o superintendente da época que cuidou da Logimed.

Houve falhas de gestão na antiga superintendência?

Claro, sempre tem alguma falha. Tudo perfeito seria uma maravilha.

Assim que o novo superintendente assumiu, o senhor foi comunicado das irregularidades?

Algumas coisas. O que tinha, está sendo corrigido. Tanto é que, agora, na quinta-feira, quando veio o relatório da auditoria, fiz um ofício ao novo superintendente (Irineu Massaia) para abrir sindicância e tomar providências sobre todas as acusações.

Alguns membros da mesa chegaram a pedir a sua saída?

É um grupo que faz oposição permanente desde o início da gestão. Diziam que o secretário falou que eu não sirvo. Liguei para o secretário, fui lá no dia seguinte e conversei com ele. Perguntei: é verdade? Ele falou: ‘De jeito nenhum.’

O senhor já tinha pensado em sair do cargo por causa da crise?

De jeito nenhum. 

Mesmo considerando o ativo, a dívida da Santa Casa aumentou de R$ 80 milhões para R$ 450 milhões na sua gestão...

Todas as Santas Casas têm problemas de dívidas. Estávamos atendendo 12 mil por dia.

Mas o senhor não acha que falhas de gestão podem ter contribuído para o endividamento?

Eu não conheço as possíveis irregularidades que tenham sido causadas pela má gestão. Nós temos uma deficiência muito grande aqui que se chama porta aberta. Se você descer no pronto-socorro, você vai ver a quantidade de gente que tem lá dentro.

Qual foi o maior erro da sua gestão? Falhou na fiscalização?

Falhei em confiar no (ex-superintendente) Forte. Foram coisas feitas sem eu saber. 

No caso dos contratos, o senhor assinava, mas não tinha condições de saber os detalhes?

Eu aprovava na mesa. Os 50 mesários são responsáveis, tanto quanto eu. Essa sindicância vai apurar as irregularidades.

O senhor acha que está fazendo uma boa gestão na Santa Casa? Tem de mudar algo?

Acho que sim. Não tenho de modificar nada. Acho que está tudo perfeito. 

Mas a crise prejudicou pacientes e funcionários, que estão com salário atrasado...

Estamos tentando arrumar o dinheiro suficiente e necessário para cobrir. Estava previsto para hoje (ontem), mas dependo do governo, de autoridades, de um monte de gente.

Mais conteúdo sobre:
São Paulo Santa Casa Kalil Rocha Abdalla

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.