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Quem furar cerco ao Ebola será baleado na Libéria

O Estado de S. Paulo

18 Agosto 2014 | 22h 33

Para manter cordão sanitário com Serra Leoa, soldados recebem ordens para atingir nas pernas os imigrantes ilegais

MONRÓVIA - As Forças Armadas da Libéria receberam ordem para atirar em quem tentar furar o cordão sanitário criado há cinco dias para tentar conter o vírus Ebola. A informação foi dada pelo jornal Daily Observer. O medo do surto ainda fez Camarões anunciar o fechamento da fronteira com a Nigéria. O mesmo será feito nesta terça pelo Quênia em relação à Guiné.

A ordem de atirar em quem tentar furar a barreira sanitária foi dada para os soldados nos Condados de Bomi e Grand Cape Mount, na fronteira noroeste do país com Serra Leoa. Segundo o jornal, a ordem de atirar em quem tentar atravessar a fronteira ilegalmente foi dada pelo subchefe do Estado-Maior, o coronel Eric W. Dennis, atendendo a determinações da presidente, Ellen Johnson-Sirleaf.

AP
Forças Armadas da Libéria receberam ordem para atirar em quem tentar furar o cordão sanitário

O diretor do Escritório de Imigração e Naturalização, o coronel Samuel Mulbah, informou que foram registradas entradas ilegais na área de Bo Watersidade. À noite, “alguns indivíduos sem escrúpulos” estariam aproveitando para oferecer a travessia da fronteira em canoas caseiras.

Mulbah destacou nos informes oficiais, segundo o Daily Observer, que “não sabemos o estado de saúde das pessoas que utilizam essas embarcações”. Até agora, o surto já matou 1.145 pessoas, a maioria na região da tríplice fronteira entre Libéria, Serra Leoa e Guiné. 

Em uma ordem militar direta, Dennis ordenou aos soldados na área que não hesitem em atirar nas pernas de qualquer indivíduo que entre de forma ilegal na Libéria, vindo de Serra Leoa. “Dessa forma, ao ser atingido, ele se dará conta de que está violando a lei de outro país”, ressaltou o subchefe.

Medo. O receio em relação ao avanço do vírus cresce a cada dia. Apesar de a Organização Mundial de Saúde (OMS) reenviar um informe oficial aos países que não registraram casos da doença até agora, solicitando que mantenham o livre trânsito de pessoas, alimentos e comércio em geral, Camarões anunciou nesta segunda o fechamento da fronteira com a Nigéria - país que confirmou dez infecções na última semana. 

“Nossa lógica é de que é preferível prevenir a curar”, disse o ministro camaronês da Comunicação, Issa Chiroma Bakary. Segundo a rádio estatal CRTV, houve forte pressão dos governos regionais na decisão - são 250 quilômetros de fronteira com a Nigéria. Outra justificativa, envolvendo esse grande território, é de que a OMS já admitiu a necessidade de controlar o trânsito de pessoas doentes. 

A partir desta terça, o Quênia também fechará as fronteiras com a Guiné. A alegação é de que a medida é “temporária”. Não há, por enquanto, nenhuma restrição em relação à Nigéria.

Cúpula. Já Burkina Faso, que também não registrou nenhum caso de Ebola até agora, suspendeu o Encontro de Cúpula da União Africana sobre Pobreza, previsto para setembro, por causa do “desafio” da doença. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

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