Receio de Ebola faz Anvisa atrasar liberação de navio

Embarcação que veio para Santos buscar 43 mil toneladas de açúcar ficou 17 horas atracado à espera de autorização

Bruno Ribeiro e Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

16 Agosto 2014 | 03h00

SANTOS - O receio de contaminação por Ebola fez a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) demorar mais do que o normal para liberar um navio que chegou nesta semana ao Porto de Santos, vindo da Nigéria, um dos quatro países africanos que já registraram casos da doença.

O navio Kilian S chegou ao País na madrugada de quarta-feira, 13, com 19 tripulantes a bordo, para buscar 43 mil toneladas de açúcar e retornar para a cidade de Lagos, na Nigéria. Segundo a agência Unimar, que representa o navio no Brasil, o pedido do certificado de livre prática, documento no qual a Anvisa autoriza o navio a atracar em terras brasileiras, foi feito no dia 11, dois dias antes da chegada, como é de praxe.

“Como entramos com o pedido antes, geralmente a autorização já está pronta quando o navio chega, mas, neste caso, pelo fato de o navio ter vindo de um país com casos de Ebola, a Anvisa fez uma série de questionamentos extras”, diz o supervisor operacional da Unimar, Wellington Martins.

Ele afirma que o comandante da embarcação precisou informar se algum tripulante havia manifestado sintomas que poderiam levantar a suspeita da doença. “Como não teve nenhuma anormalidade, o comandante respondeu às perguntas e o certificado de livre prática foi dado, mas somente às 20h21, cerca de 17 horas depois da chegada do navio”, diz Martins. Nesta sexta, 15, o Kilian S continuava no Porto de Santos à espera de uma vaga para atracar.

A Anvisa não confirmou as informações dadas pela Unimar, mas informou que, embora a vigilância de passageiros e cargas nos aeroportos e portos seja rotina do órgão, foram incorporados “itens de verificação específicos para Ebola que incluem a checagem da origem e o quadro de saúde do viajante”.

Sem casos. A agência também diz enviar comunicados aos capitães de aeronaves e embarcações para que relatem casos suspeitos. Segundo a Anvisa, no momento, não há nenhuma notificação ou suspeita de chegada do vírus ao País. 

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