Reforma da Saúde britânica dará mais poder a médicos

Profissionais terão controle sobre hospitais, centros de saúde mental e serviços para a comunidade

Efe

13 Julho 2010 | 16h11

LONDRES - O governo britânico anunciou na última segunda uma radical reforma do Serviço Nacional de Saúde (NHS), que transferirá às clínicas dos médicos a responsabilidade de tramitar o orçamento, em detrimento das autoridades sanitárias que até agora cuidavam da parte financeira.

A nova estrutura, detalhada na Câmara dos Comuns pelo ministro da Saúde, o conservador Andrew Lansley, ajudará a eliminar dez autoridades estratégicas e 152 fundações de gestão do atendimento primário.

A reforma proposta, que se submeterá a uma consulta pública antes de começar a ser aplicada nos próximos três anos, é considerada a maior transformação do NHS desde sua fundação, em 1948.

Os profissionais e a opinião pública ainda estão confusos com seu impacto: enquanto a Associação Médica Britânica (BMA) acredita que a mudança será propícia, com o argumento de que os médicos conhecem bem as necessidades de seus pacientes e da comunidade, os sindicatos temem que seja um caos e prejudique o bom serviço.

Segundo o novo sistema, os profissionais, que operam como associados em ambulatórios, terão controle sobre os hospitais, centros de saúde mental e demais serviços oferecidos à comunidade.

Um conselho independente supervisionará, teoricamente sem interferência do governo, a atuação dos médicos agrupados em cerca de 500 clínicas, disse o ministro.

A responsabilidade sobre políticas de saúde pública será das autoridades municipais, acrescentou.

Alguns analistas alertaram que, dado o objetivo do NHS de economizar cerca de 20 bilhões de libras (R$ 53,4 bilhões) até 2014, essa profunda reforma e a rapidez de sua aplicação representam um grande risco.

Além disso, existe a dúvida se todos os médicos, cujo elevado salário anual é objeto de constantes críticas no Reino Unido, estarão capacitados a gastar o orçamento com sensatez.

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