Marcos de Paula/AE
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Rio busca em Cingapura método para combater a dengue

Até a semana passada, 26.258 casos de dengue foram registrados no Estado

Bruno Boghossian - O Estado de S. Paulo,

28 Março 2011 | 16h16

RIO - O governo do Rio de Janeiro encontrou em Cingapura um modelo para tentar reduzir a infestação do mosquito Aedes aegypti nas residências e o número de casos de dengue no Estado. Bombeiros e agentes de saúde passarão a fazer visitas periódicas nas casas fluminenses, para orientar os moradores a dedicarem dez minutos por semana ao combate aos focos de reprodução do inseto.

 

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Em 2005, o país do sudeste da Ásia conseguiu controlar uma epidemia da doença em apenas seis semanas, ao distribuir para os moradores panfletos com uma lista de tarefas que deveriam ser cumpridas semanalmente, como a verificação de caixas d''água e de vasos de planta. A atividade - que toma apenas dez minutos, segundo seus idealizadores - teria ajudado Cingapura a reduzir a taxa de incidência da doença à metade. Este ano, foram registrados apenas 14,8 casos de dengue para cada 100 mil habitantes no país. No município do Rio, a taxa atual é de 164,2 casos e, no Estado, de 160,7 para cada 100 mil.

A aplicação do modelo "10 minutos contra a dengue" no Rio foi idealizada pela Secretaria Estadual de Saúde e pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). Segundo pesquisadores, a ação permanente e coordenada de agentes públicos e moradores pode ser suficiente para evitar que o surto de dengue em partes do Estado se transforme em uma epidemia.

"Basta que a população mude seu comportamento e se acostume a cumprir essa tarefa com frequência. É como escovar os dentes", compara Denise Valle, entomologista da Fiocruz. "É uma rotina de dez minutos, que só precisa ser repetida uma vez por semana, pois 80% dos criadouros estão dentro das casas e o ciclo de reprodução do mosquito dura de sete a dez dias", explica.

Sábado, 150 homens do Corpo de Bombeiros estrearam a ação nas favelas Chapéu Mangueira e Babilônia, no Leme, zona sul da capital fluminense. Eles fizeram vistorias nas casas e distribuíram cartilhas aos moradores, com orientações sobre o controle semanal de 13 possíveis focos de reprodução do Aedes aegypti. As comunidades servirão como projeto-piloto para o modelo e, em quatro semanas, agentes voltarão às casas para verificar se o procedimento foi cumprido.

Nas favelas, os bombeiros encontraram lixo espalhado pelas ruas, casas vazias e caixas d''água destampadas, o que dificultou o trabalho de fiscalização e orientação. "A creche que fica ao lado da minha casa tem uma caixa d''água aberta que vira um criadouro do mosquito quando chove", reclamou a aposentada Miriam Ladeira, de 81 anos. "Eu mesma peguei uma furadeira e entrei lá para fazer um buraco e evitar que a água se acumule. Já tive dengue três vezes e não quero passar por isso de novo".

Até a semana passada, 26.258 casos de dengue foram registrados no Rio, mas a Secretaria Estadual de Saúde nega que haja uma epidemia da doença. O objetivo agora é evitar novos casos, facilitar o tratamento e evitar diagnósticos incorretos. "No começo da epidemia, o sistema fica menos sensível (ao diagnóstico da doença), então trabalhamos para que todo sintoma de virose, até que se tenha uma posição contrária, seja tratado como dengue", declarou Hellen Miyamoto, subsecretária de Vigilância em Saúde.

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