Ritmo de proliferação do Ebola cai, mas OMS ainda alerta para riscos

Ritmo de proliferação do Ebola cai, mas OMS ainda alerta para riscos

Situação é mais preocupante em Serra Leoa, onde metas não foram atingidas; organização quer zerar transmissões até meados de 2015

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

01 Dezembro 2014 | 14h07

GENEBRA - O ritmo da proliferação do vírus do Ebola sofreu uma desaceleração e a Organização Mundial da Saúde (OMS) aponta que sua estratégia começa a dar resultado. Mas a entidade alerta que não existe espaço para otimismo e que a crise ainda ameaça os países africanos e mesmo um contágio internacional. A meta agora é de que, em meados de 2015, as transmissões sejam zeradas. 

Há dois meses, a OMS estabeleceu metas para começar a lidar com a epidemia. Entre medidas, a entidade estabeleceu o objetivo de conseguir que pelo menos 70% dos pacientes fossem tratados em zonas isoladas em hospitais preparados para lidar com a doença.

Outro objetivo era o de conseguir que pelo menos 70% da população morta fosse enterrada de forma adequada e que os corpos não contaminassem novas pessoas. As medidas foram escolhidas como forma de interromper a proliferação da doença. 

Desaceleração das contaminações. Nos países mais atingidos - Libéria, Serra Leoa e Guiné - essas metas foram "em grande parte" superadas depois de uma injeção de quase US$ 1 bilhão pela comunidade internacional. 

A exceção está em Serra Leoa, onde as metas não foram atingidas em diversas regiões do país. Hoje, 20% dos novos casos de Ebola continuam aparecendo entre pessoas que tiveram contato com os corpos de mortos em enterros, seguindo rituais tradicionais dessa região da África. 

Mesmo assim, o resultado tem sido positivo. Há dois meses, cerca de mil casos novos eram registrados por semana. Hoje, são cerca de 1,1 mil por semana. O número ainda cresce, mas a explosão de casos não ocorreu. 

"Houve uma desaceleração real de novos casos e não vemos mais o crescimento  exponencial", indicou o vice-diretor da OMS, Bruce Aylward. Ele chegou a alertar em setembro que, por semana, os números poderiam ser de 5 mil a 10 mil em dezembro.  

Em alguns países o número de leitos foi multiplicado por quatro e as equipes que auxiliam nos enterros para evitar que os corpos continuem a contaminar dobraram e chegaram a 200. 

Apesar dos resultados, ninguém na OMS está autorizado a comemorar. "Não vamos vencer a guerra enquanto existir um só caso", declarou, lembrando que Serra Leoa vive uma situação difícil em diferentes regiões. 

Próximo passo. A próxima meta é a de conseguir que 100% dos enterros sejam seguros em janeiro e que 100% dos novos casos identificados possam encontrar um local adequado para o tratamento. Mas, em locais como Serra Leoa, os leitos existentes ainda não são suficientes. 

"Podemos alcançar o Ebola. Mas não quer dizer que vamos conseguir chegar a zero casos por semana ainda", indicou. "Para que isso ocorra, precisaremos de medidas adicionais. Os nossos resultados hoje não são suficientes para parar o Ebola", insistiu Aylward. 

Por sua conta, 20 mil funcionários serão necessários para ajudar a detectar cada cadeia de transmissão nos próximos seis meses. Até meados de 2015, a esperança da OMS é de que o número de novos casos seja interrompido. 

"Estamos em um momento importante na redução de casos. Mas isso não vai levar a zero. Precisamos ter 100% de pessoas contaminadas nos centros de tratamento e complementar isso tudo com estratégias", explicou o representante da OMS.

Ele admite que existe um hiato no financiamento e teme que a atenção internacional desabe em 2015 com as primeiras regiões controladas. "Precisamos continuar vigilantes. Os riscos são enormes ainda e não há como falar em otimismo", completou. 

Até agora, 16 mil pessoas foram contaminadas pelo Ebola, das quais 6,9 mil morreram.

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