Helvio Romero/Estadão
Helvio Romero/Estadão

Salva aos 7 dias de vida com técnica brasileira do Incor

Só o Instituto tinha estrutura adequada e profissionais capacitados para a intervenção realizada em Esther

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

22 Janeiro 2018 | 03h00

SÃO PAULO - Esther tinha apenas 7 dias quando foi levada para um dos centros cirúrgicos do Instituto do Coração (Incor) para passar pelo único procedimento capaz de salvar sua vida. A bebê nasceu com um tipo de cardiopatia congênita que, se não tratada nas primeiras semanas após o nascimento, leva a criança à morte.

O problema não havia sido detectado durante a gestação, o que tornou o susto e o desespero da família ainda maiores no momento do diagnóstico. “A gravidez foi bastante tranquila. Só que, no segundo dia de vida, ela passou mal e ficou toda roxinha. A pediatra a levou para fazer exames e descobriu que nasceu com os vasos sanguíneos invertidos”, conta a mãe de Esther, a recreacionista Yasmin Viana de Oliveira, de 24 anos.

Nesses casos, o recém-nascido precisa passar por uma operação em que as artérias aorta e pulmonar são colocadas na posição correta, permitindo, assim, que o sangue que passa pelo pulmão para ser oxigenado seja distribuído normalmente pelo corpo da criança, incluindo os órgãos vitais.

Moradores de Sumaré, no interior do Estado, os pais da menina foram informados na maternidade onde ocorreu o parto que somente o Incor tinha estrutura adequada e profissionais capacitados para realizar o tipo de cirurgia que a bebê precisava. “O máximo que eles conseguiram em Sumaré foi descobrir o que ela tinha. Ela veio para o Incor com 4 dias, foi reavaliada, prepararam ela e, uma semana depois de nascer, estava na cirurgia. Foi uma angústia porque a operação durou 12 horas, mas, no fim, deu tudo certo”, relembra a mãe.

A técnica. Nos casos como o de Esther, o Incor não se destaca “apenas” por ser capaz de realizar esse tipo de cirurgia. A invenção da técnica, em 1975, também esbarra na história da instituição. Foi o renomado cirurgião Adib Jatene (1929-2014), um dos maiores especialistas que passaram pela instituição, o responsável pela criação do procedimento, conhecido mundialmente como Cirurgia de Jatene. “Até a década de 1960, 90% dos bebês que nasciam com essa cardiopatia morriam no primeiro ano de vida. Hoje é o contrário: 80% a 90% sobrevivem”, relata Filomena Galas, médica supervisora da UTI cirúrgica do Incor, onde a pequena Esther se recuperou antes de ter alta.

Adib Jatene não deixou seu legado apenas na literatura científica. Dois de seus filhos, Fábio e Marcelo, atuam no Incor. O primeiro é vice-presidente do Conselho Diretor e diretor da Divisão de Cirurgia Cardiovascular. Já Marcelo é diretor do Serviço de Cirurgia Cardiovascular Infantil e chefe da equipe que operou a pequena Esther.

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