TV Estadão | 19.05.2015
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São Paulo tem queda no número de casos de dengue em maio

No mês, foram 159,5 casos de infecções por dia no Estado de São Paulo; já em abril, média diária de registros da doença foi de 1.970

Isabela Palhares, O Estado de S. Paulo

25 Maio 2015 | 11h51

Atualizada às 20h19

SÃO PAULO - Com as temperaturas em queda, o número de infecções por dengue despencou no Estado de São Paulo durante o mês de maio. Até sexta-feira da semana passada, foram registrados 3.510 casos da doença. Em abril, houve 59.128 ocorrências.

De acordo com a Secretaria de Estado da Saúde, em abril, a média de notificações foi de 1.970 casos por dia. O número é mais de 12 vezes superior à média do mês de maio, com 159,5 casos por dia. O pico da doença no Estado foi registrado em março, com 137.380 casos de dengue.

Para infectologistas especializados em dengue, a redução não significa um controle da doença no Estado, mas apenas uma consequência da diminuição da circulação do mosquito Aedes aegypti, causada pela queda nas temperaturas. “Tivemos duas ou três semanas com temperaturas em torno dos 20ºC e baixa umidade, o que não é propício para o mosquito”, disse Celso Francisco Granato, virologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

De acordo com a secretaria, Campinas e Sorocaba continuam como as cidades com mais registros da doença. A capital ocupa a terceira posição no Estado, com 23.259 casos confirmados de dengue. 

Ministério. Dados do Ministério da Saúde apontam que o Estado bateu recorde de mortes por dengue, com 169 casos até a primeira semana de abril. O recorde anterior de mortes havia sido registrado em 2010, quando 141 pessoas morreram por complicações da doença. São mais vulneráveis a apresentar o quadro grave crianças, idosos e quem tem problemas crônicos.

Ivo Castelo Branco Coelho, infectologista e consultor de dengue da Organização Mundial da Saúde (OMS), disse que os municípios não podem “relaxar” nas ações de combate ao mosquito, apesar da queda de casos. “Os ovos do mosquito continuam na natureza, incubados pela falta de umidade. Quando voltar a chover, os mosquitos voltarão. Por isso, precisamos destruir os criadouros agora.”

Coelho disse ainda que, como o Estado registrou alta da doença em 2015, os próximos anos tendem a ter casos mais graves, com a maior possibilidade de reincidência de pacientes com dengue. “Se tivemos, em média, um caso grave a cada 200 da doença neste ano, nos próximos anos, devemos ter um a cada 100”, disse o médico.

Em nota, a secretaria informou que fechou parceria com instituições públicas e privadas para aumentar a divulgação de informações sobre combate e prevenção à dengue no Estado. Também informou que a Superintendência de Controle de Endemias (Sucen) vai dobrar o efetivo para mil agentes, para auxiliar os municípios paulistas a evitar nova epidemia em 2016.

Morte. Uma idosa de 75 anos morreu, anteontem, depois de ser acometida por dengue hemorrágica em Potirendaba, na região de São José do Rio Preto, interior de São Paulo. A cidade, de 15,5 mil habitantes, registrou 130 casos de dengue neste ano, mas não está em situação de epidemia. A prefeitura intensificou as ações de combate ao mosquito transmissor. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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