DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO
DANIEL TEIXEIRA/ESTADAO

Setúbal não tentará a reeleição à Santa Casa de São Paulo

Médico e acionista do Banco anunciou que deixará em abril o cargo de provedor da instituição

Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

23 Fevereiro 2017 | 00h03

SÃO PAULO - Alegando estresse e desgaste físico e emocional, o médico e acionista do Banco Itaú José Luiz Setúbal, de 60 anos, anunciou nesta quarta-feira, 22, que deixará em abril o cargo de provedor da Santa Casa de São Paulo, quando acaba seu mandato, sem tentar a reeleição. A instituição deverá ser comandada, a partir da saída de Setúbal, pelo advogado e articulista do Estado Antonio Penteado Mendonça, de 64 anos, único a formalizar candidatura até agora. Ele tem o apoio da atual gestão.

Em entrevista ao Estado, Setúbal afirmou que problemas de saúde e disputas políticas internas o fizeram desistir de disputar um novo mandato. “Minha ideia inicial era ficar cinco anos, dois do restante do mandato do Kalil (Rocha Abdalla, ex-provedor que renunciou ao cargo) e outros três anos de um segundo mandato, mas o desgaste foi muito grande. Desde 2014, coloquei nove stents no coração (dispositivo utilizado para normalizar o fluxo de sangue em artérias). É muito estresse. E não é só pelo problema financeiro, tem também as questões políticas da Santa Casa”, disse.

Entre as resistências enfrentadas dentro da instituição, ele cita a recusa da Mesa Administrativa em aprovar um novo estatuto para a entidade, que tornaria mais profissional a gestão do complexo hospitalar. “Se a Santa Casa não cuidar da governança corporativa, se ela não tiver uma gestão profissional, vai ficar patinando”, defende.

Como principais avanços de sua administração, o médico aponta a informatização das atividades do complexo - que, segundo ele, rendeu mais transparência e eficiência na gestão dos recursos - e um empréstimo de R$ 360 milhões com a Caixa Econômica Federal, que tornou possível o pagamento de fornecedores.

Embora não vá tentar a reeleição, Setúbal fará parte da chapa de Penteado Mendonça no pleito de abril, quando serão eleitos, além do provedor, os 50 integrantes da mesa administrativa da entidade.

Sem ruptura. O advogado afirma que, caso eleito, sua gestão será de continuidade. “Não haverá ruptura. É uma chapa de continuação ao que Setúbal vinha fazendo, com o foco na viabilidade da Santa Casa como instituição provedora de serviços de saúde”, disse ele, que já faz parte da Mesa Administrativa desde a década de 1990.

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