Sistema permite que pessoas paralisadas usem respiração para se comunicar

Uma paciente escreveu cartas para a família pela primeira vez desde que sofreu um derrame

REUTERS,

26 Julho 2010 | 18h45

Um dispositivo que detecta os movimentos sutis necessários para aspirar pelo nariz ou pela boca pode manobrar uma cadeira de rodas ou permitir que pessoas completamente paralisadas escrevam mensagens, informam pesquisadores israelenses.

 

Uma paciente escreveu cartas para a família pela primeira vez desde que sofreu um derrame, e outros usaram o dispositivo para surfar na internet ou manobrar a cadeira de rodas.

 

Embora não seja um substituto para um implante cerebral que permita aos pacientes controlar aparelhos apenas com o pensamento, o "controle de cheiro" funciona melhor para muitos pacientes do que piscadelas ou outros meios de comunicação, informam os pesquisadores no periódico Proceedings of the National Academy of Sciences.

 

"De fato, a aspiração permitiu que participantes completamente paralisados e encarcerados escrevessem mensagens, e que participantes quadriplégicos escrevessem e ativassem uma cadeira de rodas", escreveram.

 

"Os testes mais exigentes foram os que fizemos com pacientes de síndrome do encarceramento. Essas são pessoas com função cognitiva plena que estão complrtamente paralisadas - 'encarceradas' em seus corpos", disse, em nota, Noam Sobel, do Instituto Weizmann de Ciência em Rehovot, Israel. A síndrome pode ser causada por derrame, ferimentos ou algumas doenças.

 

Sobel e colegas desenvolveram o aparelho depois de notar que o palato mole, que controla como o ar é aspirado e expirado, tem vários nervos conectados ao cérebro.

 

O aparelho, que se assemelha aos tubos nasais usados para levar oxigênio a pacientes, mede a pressão nasal e gera sinais elétricos.

 

O "controlador de cheiro" foi testado em 36 voluntários saudáveis, que o usaram, no lugar de mouse ou joystick, para jogar videogames.

Depois, abordaram uma mulher que estava completamente "encarcerada" desde um derrame, meses antes.

 

A mulher de 51 anos não era capaz de controlar as pálpebras para se comunicar, mas apesar disso "começou a escrever com este aparelho, e depois de alguns dias gerou sua primeira comunicação de iniciativa própria e significativa pós-derrame, que continha uma mensagem profundamente pessoal para sua família", escreveram os pesquisadores.

 

Uma mulher quadriplégica de 63 anos escreveu sua primeira carta em dez anos e usa o aparelho para enviar e-mails e explorar a internet, disseram eles, enquanto um homem de 30 anos, paralisado do pescoço para baixo, usa o dispositivo para controlar a cadeira de rodas.

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