Celso Junior
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Sob risco de epidemia, Piracicaba defende uso de Aedes transgênico

Segundo documento enviado ao MP, número de casos subiu 500% este ano e a cidade oferece 'condições propícias' à doença

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

18 Março 2015 | 18h20

SOROCABA - A prefeitura de Piracicaba, interior de São Paulo, alegou alto risco de epidemia de dengue para convencer o Ministério Público Estadual a permitir a utilização do mosquito transgênico na cidade. De acordo com documento enviado nesta quarta-feira (18) ao MP, o número de casos subiu 500% este ano em relação ao mesmo período do ano passado e a cidade oferece "condições propícias" à doença.

O município contratou a empresa Oxitec para desenvolver um projeto pioneiro no Estado de controle do transmissor através do mosquito OX513A, chamado de 'Aedes do Bem' por interromper a cadeia de transmissão da dengue. Na sexta-feira, a promotoria local recomendou à prefeitura a não utilização do inseto geneticamente modificado até que eventuais riscos fossem melhor avaliados. Uma das preocupações é o possível aumento na população de outros vetores, como o Aedes albopictus, com a diminuição do Aedes aegypti.

A prefeitura juntou documentos que atestariam que o OX não apresenta riscos do ponto de vista humano, ambiental, vegetal e animal. De acordo com o secretário de Saúde, Pedro Mello, a situação na cidade é altamente favorável à procriação do mosquito transmissor da dengue. "Enfrentamos esse problema por conta das condições climáticas e pelo fato de parte da população ter uma cultura de acumular materiais inservíveis, que são potenciais criadouros para o mosquito."

Segundo ele, nos últimos anos, a doença avançou, causando uma morte em 2013 e duas em 2014. A adoção do projeto piloto com o mosquito da Oxitec se justifica, segundo o secretário, pela obrigação em se buscar alternativas para frear a doença. "Temos o dever de combater esta doença que neste ano tem gerado uma das maiores epidemias do Estado, com elevados números de casos e mortes". 

Anunciado no início de março, o projeto prevê uma fase de engajamento público, com divulgação do projeto no bairro Cecap, onde os mosquitos transgênicos seriam soltos no final de abril. O monitoramento do mosquito selvagem, segundo a prefeitura, é um dos itens exigidos pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CNTBio) e será realizado pela Oxitec, conforme previsto em contrato. O MP vai se manifestar após analisar a documentação enviada pela prefeitura.

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