Tiago Queiroz/Estadão
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Fabiana Cambricoli, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 19h53
Atualizado 19 Janeiro 2018 | 22h41

SÃO PAULO - O número de mortes confirmadas por febre amarela no Estado de São Paulo subiu para 36, conforme boletim divulgado na noite desta sexta-feira, 19, pela Secretaria Estadual da Saúde. O número é 71% maior do que o registrado no balanço da semana passada, quando a pasta relatou 21 óbitos. Os levantamentos se referem aos registros de janeiro de 2017 até agora. Enquanto isso, outras três pessoas morreram por reação à vacina. 

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O número de casos da doença também aumentou, passando de 40 para 81 entre o boletim da semana passada e o atual. O município de Mairiporã, na região metropolitana de São Paulo, registrou mais da metade de todos os relatos de febre amarela no Estado - 41, dos quais 14 evoluíram para óbito. Cidade vizinha, Atibaia é a segunda com o maior número de registros da doença (9), seguida por Amparo (5), na região de Campinas, interior do Estado.

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Juntos, os três municípios concentram dois terços de todos os casos e óbitos registrados no Estado desde o ano passado. Outros 17 municípios também confirmaram infecções de pacientes: Águas da Prata, Américo Brasiliense, Batatais, Bragança Paulista, Caieiras, Campinas, Itatiba, Itapecerica da Serra, Jarinu, Jundiaí, Mococa, Monte Alegre do Sul, Nazaré Paulista, Santa Cruz do Rio Pardo, Santa Lúcia, São João da Boa Vista e Tuiuti. A capital paulista não tem casos autóctones (de transmissão interna) confirmados até agora.

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Reação

Além das três mortes confirmadas nesta sexta por reação à vacina, outras seis estão em investigação pelo mesmo motivo, segundo a Secretaria Estadual da Saúde. Dos três casos confirmados, dois ocorreram na capital e um em Matão, na região de São José do Rio Preto, interior paulista.

Embora rara, a reação à vacina da febre amarela pode ocorrer porque o imunizante é feito com o vírus vivo atenuado. Nas reações graves, que tem incidência de 1 caso a cada 500 mil pessoas vacinadas, o paciente pode desenvolver a doença viscerotrópica aguda, quadro similar à febre amarela clássica, que leva a uma disfunção aguda de múltiplos órgãos.

Considerando o volume de pessoas vacinadas na capital paulista desde outubro, por exemplo (1,8 milhão), o índice de óbitos por reação vacinal registrado na cidade - 1 para cada 900 mil vacinados - está inferior ao descrito na literatura médica. 

Tem maior risco de desenvolver a reação idosos, gestantes e pessoas com o sistema imunológico enfraquecido, como pacientes transplantados ou que passaram por quimioterapia. “Por isso, precisa ter uma entrevista, uma triagem, para não vacinar quem não pode ser vacinado. É uma vacina que tem de ter precauções, não é isenta de riscos. Essa é a única razão pela qual a gente não aplica a vacina no País todo”, destaca Renato Kfouri, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

 

A reação, no entanto, pode acometer também pessoas de fora desses grupos, caso das três mortes relatadas no Estado de São Paulo, nas quais as vítimas eram pessoas com menos de 60 anos, sem registro de doenças prévias, de acordo com a secretaria.

“Justamente pelo perfil da vacina, a imunização é indicada apenas para quem precisa, considerando-se o risco de exposição à febre amarela. Portanto, em locais urbanos, onde não há transmissão, não há motivo para expor a população a um risco desnecessário”, destacou o órgão, em nota divulgada nesta sexta.

Rio de Janeiro

Mais um caso da doença foi confirmado em Valença, no sul do Rio, segundo a Secretaria de Saúde. Agora chegam a 14 os casos registrados no Estado em 2018, com cinco mortes. / COLABOROU PAULA FELIX

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O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 19h57
Atualizado 19 Janeiro 2018 | 22h39

SÃO PAULO - O Ministério Público de São Paulo (MP-SP) instaurou inquérito civil para apurar a falta de vacina contra febre amarela e as responsabilidades do Estado e do Município de São Paulo em indicar os postos com imunização. A iniciativa do promotor de Justiça Arthur Pinto Filho, da Promotoria de Direitos Humanos-Saúde, cita o caso de uma pessoa que buscou a UBS Humaitá, no Bexiga, região central paulistana. Na ocasião, teria sido informado por uma servidora “que a senha seria distribuída pela manhã em horário indeterminado, em torno das 9 horas”. Segundo ela, também seria impossível garantir o horário em que o atendimento ocorreria no dia seguinte.

+++ Sobe para 36 o número de mortes por febre amarela no Estado de São Paulo

A corrida aos postos e a busca de senhas têm provocado grandes filas e desabastecimento em alguns locais, como mostrou o Estado nesta semana. Ainda nesta sexta-feira, 19, houve tumulto na entrega de senhas na UBS Jardim Helena, zona leste, e tentativa de invasão, contida pela Guarda Civil Municipal.

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“Não resta suficientemente claro e esclarecido ao conjunto da população onde a população deve se vacinar, quem deve ou não se vacinar (...), como se vacinar e como se prevenir. E qual a parte da população que prioritariamente deve ser vacinada”, alega o promotor na abertura do inquérito. A Promotoria afirma também que não fica de forma suficientemente clara para a população paulistana os locais de vacinação - destacando as informações da imprensa sobre falhas no abastecimento. “Não é possível que a população saia às ruas batendo nas portas dos postos para saber se haverá ou não vacinação.”

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Procurada, a Prefeitura informou que só se pronunciará após notificação oficial. Mas já definiu 16 distritos para ampliação da cobertura vacinal a partir do dia 26. No dia 25, o Estado já adiantará a imunização de emergência, com doses fracionadas, em 53 cidades.

Na capital, a Secretaria Municipal da Saúde informou que a escolha dos distritos “se deu de acordo com a proximidade com corredores ecológicos e o risco de exposição à doença”. Os postos das zonas norte, sul e oeste que já fazem a imunização também vão passar a oferecer apenas a dose fracionada.

 
 

 

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Jamil Chade, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2018 | 09h46

GENEBRA – Às vésperas do Carnaval, a Europa recomenda à sua população que seja vacinada contra a febre amarela caso queira participar da festa popular no Brasil ou que esteja a caminho de áreas de transmissão do vírus no País, inclusive ao Estado de São Paulo. Num alerta publicado pela Agência Europeia de Controle de Doenças, o bloco deixou claro que teme que o Carnaval, período do ano com forte fluxo de turistas europeus ao Brasil, acabe gerando uma importação de casos. 

No comunicado, a Europa aponta que o surto no Brasil foi declarado como encerrado em setembro de 2017. Mas os números em alta das últimas semanas apontariam para a volta da circulação do vírus, em especial em São Paulo. A organização estima que cerca de 1 milhão de pessoas viajam ao Brasil neste período.

“A identificação de casos em animais nas proximidades de regiões metropolitanas em São Paulo e Rio é preocupante, especial diante do início da temporada do mosquito”, indicou. “Existe um aumento da possibilidade de transmissão urbana, o que aumenta de forma significativa o número potencial de pessoas expostas”, alertou. 

No último fim de semana, um holandês que estava no interior de São Paulo retornou a seu país de origem contaminado pela doença, o que fez a OMS reavaliar a situação do Brasil. 

Agora, o alerta da Europa se refere ao carnaval, que ocorre entre 9 e 14 de fevereiro. “Durante o Carnaval, o número de viajantes da Europa ao Brasil deve aumentar. Portanto, o número de casos relacionados com viagens entre turistas não vacinados pode aumentar também nos próximos meses”, alerta. 

Dentro da Europa, a agência estima que o risco de transmissão da febre amarela seria muito baixo. 

+++ Veja perguntas e respostas sobre febre amarela e tire suas dúvidas

Ainda assim, as autoridades do Velho Continente pedem que os turistas que estejam viajando ao Brasil sejam vacinados, de acordo com as recomendações da OMS. Nesta semana, a agência da ONU incluiu todo o estado de São Paulo entre os locais de risco, além do Rio de Janeiro e Bahia. 

Uma vez no Brasil, a Europa pede que os turistas “tomem medidas para prevenir a picada do mosquito, especialmente no início do dia e ao entardecer, quando os mosquitos são mais ativos”. Isso inclui o uso de repelentes, usar camisas e calças de manga larga e dormir em quartos com ar condicionado ou com redes para proteger as camas. 

A Europa também deixa claro que turistas internacionais que estejam retornando de áreas afetadas por ser obrigados a mostrar provas de sua vacinação ao entrar em regiões com o mosquito. 

Médicos – Com a doença inexistente na Europa, a agência também recomenda que médicos e profissionais do setor de saúde sejam informados de forma regular sobre as áreas com transmissão de febre amarela. Eles também devem passar a considerar a doença em seus diagnósticos. 

Uma especial preocupação da Europa ainda se refere a seus territórios em outros continentes, afetados pelo mosquito. Territórios europeus na Ásia, por exemplo, contam com a presença do vetor da febre amarela. Mas não com a doença. O temor é de que a importação de um caso brasileiro possa acabar gerando uma transmissão local em uma população que não está imunizada. 

Por isso, a agência sugere que os viajantes que chegam do Brasil devem ser avaliados sobre o status de sua vacinação. 

Outra recomendação é de que pessoas retornando de áreas sob risco de transmissão não realizem doações de sangue por 28 dias e que doações de certos órgãos seja reavaliada. 

“Se um órgão recebeu vacina de febre amarela durante quatro semanas antes da doação, uma avaliação é obrigatória”, recomenda. 

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