Sobreviventes de ataques cardíacos temem sexo, diz pesquisa

Estudo mostra que pacientes que não conversam sobre o assunto com médicos têm tendência a ser menos ativos

BBC

24 Maio 2010 | 09h00

WASHINGTON - Pacientes que sobreviveram a um ataque cardíaco tem tendência a evitar relações sexuais, temendo que elas possam causar sua morte, segundo pesquisadores americanos. De acordo com o estudo apresentado em um encontro da American Heart Association, os pacientes que não conversam com seus médicos sobre sua vida sexual são os mais propensos a evitar sexo.

 

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Segundo a médica Stacy Tessler Lindau, que liderou o estudo envolvendo 1.700 pacientes, as chances de morrer durante o ato sexual são "muito pequenas". A British Heart Foundation apoiou sua sugestão para que os médicos discutam a vida sexual dos pacientes para tranquilizá-los.

 

Especialistas afirmam que fazer sexo é seguro para os pacientes que sobreviveram a um ataque cardíaco quando eles são capazes de realizar exercícios moderados, como subir alguns lances de escada.

 

Atividade sexual

 

No estudo, que envolveu 1.184 homens e 576 mulheres que tinham sofrido um ataque cardíaco, os pacientes foram questionados sobre sua atividade sexual antes e depois do incidente. Eles foram avaliados um mês depois do ataque cardíaco e, novamente, um ano depois.

 

Os homens, cuja idade média era 59 anos, eram mais propensos a ser casados do que as mulheres, cuja idade média era 61 anos. A atividade sexual antes do ataque cardíaco também era mais alta entre os homens do que entre as mulheres.

 

Mas mesmo depois de ajustadas as diferenças, os pacientes que receberam instruções sobre como retomar sua vida sexual ao deixarem o hospital apresentaram maior tendência a ter vida sexual ativa no ano seguinte ao ataque.

 

Menos da metade dos homens e cerca de um terço das mulheres haviam conversado sobre sua vida sexual com seus respectivos médicos. E menos de 40% dos homens e 20% das mulheres conversaram sobre sexo com seus médicos nos 12 meses seguintes ao ataque cardíaco. Um ano depois, mais de dois terços dos homens e cerca de 40% das mulheres disseram ter tido alguma atividade sexual.

 

Mas os homens que não receberam instruções médicas sobre a retomada da vida sexual tinham probabilidade 30% maior de ter menos atividades neste campo do que antes do ataque cardíaco. Entre as mulheres, este número chegou a 40%.

 

Vida sexual saudável

 

"A maioria dos pacientes de ataque cardíaco tem vida sexual ativa", disse a doutora Lindau. "Mas em sua maioria, os médicos não estão conversando sobre o assunto com os pacientes depois do ataque cardíaco." Segundo ela, mesmo quando a vida sexual era discutida, não havia nada para mostrar o que havia sido dito aos pacientes, os se a informação era consistente.

 

A médica afirmou que o sexo não deve ser ignorado nas conversas entre médicos e pacientes simplesmente porque os pacientes são casados, ou mais velhos. "Não dá para prever, simplesmente olhando para alguém, se eles são sexualmente ativos. Os pacientes vêem o sexo como uma parte importante de suas vidas, e eles acreditam ser apropriado que os médicos levantem a questão."

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