Paula Lacerda/Arquivo Pessoal
Paula Lacerda/Arquivo Pessoal

Sofia se recupera após transplante de cinco órgãos e já é caso raro

Menina de um ano e três meses fez cirurgia nos Estados Unidos e deixou UTI há dez dias; campanha na internet ajudou operação

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

01 Maio 2015 | 17h29

SOROCABA – Dez dias depois de ter deixado a Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Jackson Memorial Hospital, após ter sido submetida a um transplante simultâneo de cinco órgãos do aparelho digestivo, a menina Sofia Gonçalves de Lacerda, de Votorantim, região de Sorocaba, surpreendeu os médicos com sua boa recuperação.

“Cada dia ele fica mais esperta e forte”, informou a mãe, Patrícia Lacerda, através de uma rede social. “O pós-operatório é longo e delicado, por isso temos de estar atentos, vigiando-a sempre. Ela está bem tranquila, mas temos de viver um dia de cada vez”, escreveu.

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Segundo ela, os médicos já consideram o caso raro na medicina em razão da tenra idade - um ano e três meses - e da rápida recuperação. Ela nasceu com Síndrome de Berdon, uma doença rara que impede o funcionamento do aparelho digestivo, e teria poucas semanas de vida, segundo os médicos. Um transplante multivisceral seria a única chance de sobrevivência do bebê, mas não havia casos de sucesso no Brasil.

Sem recursos próprios, a família se mobilizou e conseguiu que o governo brasileiro bancasse o tratamento nos Estados Unidos, depois que hospitais brasileiros informaram que não podiam assumir o risco de realizar um transplante tão complexo. Uma campanha na internet mobilizou 1,5 milhão de pessoas e resultou na arrecadação de mais de R$ 2 milhões.

Por determinação da Justiça Federal, o governo brasileiro assumiu o transporte da família, a cirurgia e o tratamento da menina, a um custo de R$ 2,4 milhões. A criança só conseguiu um doador no mês passado, mas o transplante de fígado, estômago, pâncreas, intestino delgado e intestino grosso foi considerado bem sucedido.

Há dez dias, a menina deixou a UTI e foi para um quarto do hospital. Agora, os médicos já constataram que seu aparelho digestivo está funcionando. “Corre tudo bem, mas continuamos pedindo orações”, disse a mãe. 

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