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Saúde

Zika

SP tem pelo menos 900 grávidas com suspeita de zika

Maioria é da região de Ribeirão Preto, que vive surto de doenças transmitidas pelo ‘Aedes’; nenhum feto desenvolveu microcefalia

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Fabiana Cambricoli,
O Estado de S. Paulo

19 Março 2016 | 03h00

Pelo menos 900 gestantes do Estado de São Paulo já receberam o diagnóstico suspeito de zika, revelou ontem ao Estado Gizelda Katz, diretora de emergências em saúde do Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria Estadual da Saúde. Até agora, nenhum dos fetos desenvolveu microcefalia, mas as mulheres seguem sendo monitoradas, uma vez que a má-formação pode aparecer nos exames somente em estágios mais avançados da gravidez.

No grupo de mulheres que já deram à luz, há 38 casos confirmados de microcefalia com suspeita de ligação com o zika e 112 em investigação no Estado.

De acordo com Gizelda, como ainda não há exames diagnósticos de zika em volume suficiente para testar toda a população com sintomas, as gestantes estão sendo priorizadas. “De casos autóctones de zika confirmados em laboratório temos 101, dos quais 84 são gestantes”, contou ela, após participar de evento sobre o zika promovido pelo Instituto Emílio Ribas. Os demais registros ainda estão sendo investigados.

Segundo a diretora, a maioria das gestantes com suspeita da doença é de Ribeirão Preto. “Essa é a região que vai ser o epicentro de zika no Estado. Se formos ver a história da dengue em São Paulo, ela está se repetindo agora com zika. Na década de 90, a primeira transmissão importante de dengue começa lá: Ribeirão Preto, Barretos, São José do Rio Preto, depois ela se espalha. O zika vai repetir a mesma história, talvez um pouco mais rápido”, diz.

Segundo a Secretaria da Saúde de Ribeirão Preto, 425 grávidas já receberam diagnóstico suspeito de zika neste ano.

Circulação viral. Outros indícios mostram que o vírus está circulando com mais intensidade em território paulista. Há 20 dias, a Faculdade de Medicina de Jundiaí iniciou uma pesquisa com gestantes saudáveis para comparar com um segundo grupo com sintomas de zika.

Os pesquisadores, no entanto, surpreenderam-se ao verificar que, das 56 amostras colhidas de grávidas sem sintomas, 80% tinham a presença do zika. “Esses resultados são preliminares, estamos repetindo os testes, mas é assustador”, disse Saulo Passos, professor de pediatria da faculdade.

Paralelamente ao acompanhamento das gestantes saudáveis, o Hospital Universitário da Faculdade de Jundiaí realizou quatro partos de crianças com microcefalia em apenas 15 dias. Três das mães testaram positivo para zika. “Antes era raríssimo ter um caso desse no hospital”, conta Saulo. A análise dos casos é mais um dos trabalhos da Rede Zika, força-tarefa de pesquisadores paulistas.

O diretor do Departamento de Vigilância de Doenças Transmissíveis do ministério, Claudio Maierovitch, afirmou que, se as ações de combate ao mosquito Aedes aegypti não forem suficientes para diminuir os índices de infestação, a epidemia de zika vivida pelo Nordeste no ano passado poderá se repetir no resto do País. “Se nossos esforços não derem o resultado esperado, vamos ter notícias muito ruins no Sudeste e Centro-Oeste”, disse.

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