Eraldo Peres/AP
Eraldo Peres/AP

Substituta de cubana que abandonou Mais Médicos chega a município do Pará

Pacajá, com 43 mil habitantes, conta com outros cinco profissionais do programa federal

Gabriela Azevedo, Especial para O Estado

06 Fevereiro 2014 | 18h07

BELÉM - A cidade paraense de Pacajá, de onde a médica cubana Ramona Matos Rodríguez saiu no último sábado, 31, recebeu uma substituta nesta quinta-feira, 6. O município contava apenas com dois médicos antes do início do Programa Mais Médicos para atender aproximadamente 43 mil habitantes.

De acordo com o secretário municipal de Saúde, Ronaldo Santos Jr., a substituição foi logo solicitada. "A outra médica também vai para a atenção básica, como a Ramona fazia. Além dela, temos mais cinco médicos do programa em Pacajá, o que melhorou o atendimento aqui, desde outubro. Antes não tínhamos médicos nas unidades de saúde, só dois que atendiam no hospital e iam nas unidades de vez em quando", afirma.

Salário. A médica cubana Ramona Rodríguez abandonou o programa Mais Médicos alegando exercer a medicina em situações "humanamente desiguais" se comparadas com os médicos de outras nacionalidades que participam do programa, como ela própria descreveu. Os moradores do município, no entanto, elogiam o atendimento da médica. "Eu fui com ela duas vezes. A segunda foi para levar os exames que ela me pediu. Ela foi especial. Desde que esses médicos chegarem, melhorou muito", disse o morador de Pacajá, João da Silva, de 64 anos.

Em pedido de refúgio ao Brasil, também foi levantado o argumento de que a médica recebia salário substancialmente inferior ao dos demais profissionais, mesmo realizando "as mesmíssimas atribuições". O fato de os médicos de outros países ganharem R$ 10 mil de salário, enquanto os cubanos, pelo contrato, recebem o equivalente a US$ 400 no Brasil, foi o que motivou a saída de Ramona de Pacajá.

A cubana vai entrar com uma ação trabalhista na Justiça do Pará solicitando o pagamento do que ela deixou de receber nos últimos quatro meses em que atuou no município de Pacajá.

Trabalho. Nesta quinta-feira, 6, a Associação Médica Brasileira (AMB) ofereceu à cubana um cargo na área administrativa em seu escritório em Brasília. A contratação será concretizada na terça-feira, 11.

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