Superbactéria já atinge três Estados americanos e duas províncias do Canadá

Pacientes passaram por procedimentos médicos em viagem à Índia; todos sobreviveram

AP

13 Setembro 2010 | 19h31

Uma bactéria que tem se mostrado resistente a quase todos os antibióticos por apresentar um novo gene já atingiu três Estados americanos (Califórnia, Massachusetts e Illinois) e duas províncias canadenses (Alberta e Colúmbia Britânica), além de várias partes do mundo, segundo informaram autoridades de saúde nesta segunda-feira, 13.

Os casos nos Estados Unidos e no Canadá envolvem pessoas que receberam atendimento médico recentemente na Índia, onde o problema já é generalizado. Uma revista médica britânica publicou em artigo no mês passado que dezenas de pessoas no Reino Unido haviam ido à Índia para realizar procedimentos cirúrgicos.

O número de mortes que o gene NDM-1 (metalo-beta-lactamase 1 de Nova Délhi) pode ter causado é desconhecido, pois não há uma central de monitoramento dos casos. Até agora, esse gene tem sido encontrado principalmente em bactérias que causam infecções intestinais ou urinárias.

Os cientistas há muito temiam isso: um gene muito adaptável que se une a vários tipos comuns de germes e lhes confere uma ampla resistência a drogas, criando perigosas superbactérias.

"É uma grande preocupação, porque a resistência a medicamentos tem aumentado e poucos antibióticos novos estão em desenvolvimento", disse o Dr. M. Lindsay Grayson, diretor de doenças infecciosas da Universidade de Melbourne, na Austrália. "É apenas uma questão de tempo até que o gene se espalhe mais amplamente de pessoa para pessoa", completa. Grayson dirige uma conferência da Sociedade Americana de Microbiologia em Boston.

Segundo Brandi Limbago, chefe de laboratório nos Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, os casos no país envolveram três tipos de bactéria e três diferentes mecanismos de penetração do gene NDM-1.

"Queremos que os médicos olhem para isso, especialmente para pacientes que tenham viajado recentemente para a Índia ou o Paquistão", afirma ela.

O que as pessoas podem fazer?

Não contribua para o problema de resistência a medicamentos, dizem os especialistas. Não pressione seu médico para receitar-lhe antibióticos se eles não forem necessários e evite infecções lavando sempre as mãos.

O gene NDM-1 é transportado por bactérias que podem se espalhar da mão para a boca, o que torna indispensável uma boa higiene. É por isso que as autoridades de saúde estão tão preocupadas com essa ameaça, segundo o Dr. Patrice Nordmann, professor de microbiologia da Faculdade de Medicina do Sul de Paris. A Índia é um país superpovoado que tem uso excessivo de antibióticos e registra casos de diarreia generalizada e de muitos habitantes vivendo sem água potável.

"Todos os ingredientes estão aí para uma transmissão generalizada", afirma Nordmann. "Ela vai se espalhar por avião em todo o mundo", completa.

Os pacientes nos Estados Unidos não têm relação entre si. A mulher da Califórnia precisou de assistência hospitalar após ter sofrido um acidente de carro na Índia. O homem de Illinois tinha problemas de saúde pré-existentes e usava um cateter urinário. Acredita-se que ele tenha contraído a infecção enquanto viajava pela Índia.

Já o caso de Massachusetts envolveu uma indiana que passou por uma cirurgia de câncer e quimioterapia em seu país de origem, antes de viajar para os Estados Unidos. Os três sobreviveram.

Os médicos tentaram tratar alguns dos casos com combinações de antibióticos, na esperança de que isso seja mais eficaz que usar medicamentos individualmente. Alguns profissionais têm recorrido ao uso de polimixinas, antibióticos que eram utilizados nas décadas de 50 e 60 e se tornaram impopulares porque danificavam os rins.

Os dois casos canadenses também foram tratados com uma combinação de antibióticos, disse o Dr. Johann Pitout, da Universidade de Calgary, em Alberta.

Ambos os pacientes tiveram emergência médica em viagem à Índia. Eles apresentaram infecção urinária com o gene resistente, o que foi descoberto quando voltaram ao Canadá.

O CDC aconselha que qualquer hospital que registre casos como esses isolem os pacientes e verifique se pessoas próximas a eles ou do próprio hospital também estão infectadas.

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