Tarântulas ajudam cientistas a entender o medo humano

Pesquisadores usaram vídeo de aranha para ver como o cérebro produz reações de pânico

REUTERS, REUTERS

09 Novembro 2010 | 19h23

Pesquisadores que usaram tarântulas para analisar o medo humano descobriram que o cérebro responde diferentemente a ameaças com base na proximidade, direção e no quanto se espera que o evento seja assustador.

 

Cientistas da Unidade de Ciências Cognitivas e do Cérebro, em Cambridge, Inglaterra, usaram ressonância magnética funcional para acompanhar a atividade cerebral de 20 voluntários, à medida em que assistiam a uma tarântula colocada perto de seus pés.

 

Os resultados sugerem que diferentes componentes da rede de medo do cérebro servem a funções específicas de resposta a ameaças, e podem ajudar médicos a diagnosticar pacientes que sofrem de fobias.

 

"Mostramos que não se trata de apenas uma estrutura no cérebro, é uma série de diferentes partes da rede de medo que trabalham juntas para orquestrar uma resposta", disse o principal autor do trabalho, Dean Mobbs.

 

A equipe de Mobbs avaliou o cérebro dos voluntários durante três etapas do estudo: primeiro, quando a tarântula estava numa caixa segmentada perto dos pés e então se movia para compartimentos mais próximos ou distantes no interior da caixa, e também quando a aranha se deslocava em outras direções.

 

"Parece que quando a aranha está longe e se move para perto, o que se vê é uma mudança das áreas de ansiedade do cérebro para as de pânico", disse Mobbs.

 

Ele disse que havia mais atividade na resposta de pânico à medida que a aranha se aproximava do que quando se afastava, independentemente da distância inicial.

 

Ele explicou que os voluntários estavam, na verdade, observando um vídeo de uma tarântula que, acreditavam, estava perto de seus pés, já que adestrar uma aranha para se comportar da mesma forma para todos os voluntários seria impossível.

 

Os cientistas perguntaram, antecipadamente, o quanto eles achavam que ficariam assustados com uma tarântula, e descobriram que os que achavam que teriam mais medo tinham, após o experimento, uma impressão falsa do tamanho da aranha.

 

Os cientistas acreditam que esse chamado "erro de expectativa" pode ser a chave para o desenvolvimento de fobias - medos intensos e persistentes de coisas, animais, pessoas ou situações.

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