Técnicas de ressuscitação rápidas podem reduzir mortes por infarto, diz SBC

Cerca de 250 mil brasileiros morrem por ano vítimas de parada cardíaca ou cardiorrespiratória

Agência Brasil

13 Setembro 2010 | 21h09

SÃO PAULO - Técnicas de ressuscitação aplicadas por profissionais da saúde ou cidadãos comuns podem ajudar a reduzir um número preocupante: todos os anos, morrem cerca de 250 mil brasileiros vítimas de parada cardíaca ou cardiorrespiratória.

Segundo a Sociedade Brasileira de Cardiologia (SBC), que inaugura nesta semana na capital paulista o Centro de Treinamento e Simulação em Saúde para profissionais da área médica e leigos, o infarto é a principal causa de morte entre a população.

Segundo o coordenador do centro, Manoel Fernandes Canesin, a ressuscitação deve ser feita imediatamente após o ataque e aplicada por leigos que estiverem próximos à vítima e saibam fazer a massagem cardíaca. “O caminho é muito longo entre o começo e o fim [do atendimento] e deve começar nos primeiros dois ou três minutos em que o indivíduo perde a consciência ou sente dor”, afirma.

Canesin destacou o papel dos primeiros socorros, mesmo quando aplicados por quem não tem formação médica. “O papel do leigo nesse momento inicial, com a massagem cardíaca, é fundamental. A cada minuto que passa, a chance de sobrevivência é 10% menor. Temos de encurtar esse tempo ao máximo. Se passarem 5 minutos, a chance de sobrevivência é muito pequena. E é isso que vamos ensinar no centro de treinamento”, explica.

O coordenador ressaltou que o infarto ocorre principalmente em pessoas a partir de 35 anos e pode começar com uma simples dor no peito que se irradia pelo braço esquerdo. O médico alerta que quem estiver próximo deve telefonar para o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), no número 192. “Se [a vítima] perder a consciência, quem estiver ao seu lado deve chamar por ela, acionar o Samu e começar a fazer a massagem até o suporte chegar com a ambulância”, diz Canesin.

O diretor de Promoção à Saúde Cardiovascular da SBC, Dikran Armaganijan, explicou que a entidade promove cursos como esse há 11 anos, mas resolveu montar um espaço fixo em São Paulo porque a demanda está crescendo e também porque mais de 70% da aulas ocorrem na capital paulista, apesar de a SBC ministrar os cursos em outros Estados.

O espaço conta com salas e auditório para aulas teóricas e práticas, com manequins eletrônicos nos quais os alunos podem treinar identificação de pulso, parada respiratória e cardíaca, além de fazer a massagem cardíaca. Eles também aprendem como usar desfibriladores para restauração dos sinais vitais.

“Por sermos pioneiros, treinamos aproximadamente 20 mil profissionais nestes 11 anos. Por ano, são 1,5 mil alunos”, afirma Armaganijan. A SBC oferece cursos para médicos que atuam em áreas hospitalares, de recuperação de crianças e capacitação de leigos para a atuar em grandes concentrações, como aviões, transportes coletivos, estádios e espaços públicos em geral.

Segundo Armaganijan, as empresas, por exemplo, precisam ter pelo menos uma pessoa treinada para cada 100 funcionários. A demanda pelos cursos aumentou porque a população cresceu, envelheceu e o número de indivíduos que podem ter um episódio agudo de infarto aumentou.

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