Temporada de animais peçonhentos começa; veja como se prevenir

De 1º de janeiro a 6 de novembro, já foram registrados 18.823 acidentes em todo o Estado de São Paulo; 12 pessoas morreram

Paula Felix, O Estado de S. Paulo

13 Novembro 2015 | 08h19

SÃO PAULO - O aumento das temperaturas favorece o aparecimento de visitantes indesejados e que podem ser perigosos se os devidos cuidados não forem tomados. De setembro a abril, animais peçonhentos como escorpiões, aranhas e cobras costumam sair de suas tocas e acidentes acabam se tornando mais comuns.

Entre 1º de janeiro e 6 de novembro deste ano, foram registrados 18.823 acidentes com animais peçonhentos em todo o Estado de São Paulo, com 12 mortes, segundo levantamento do Centro de Vigilância Epidemiológica (CVE). Em todo o ano passado, foram 22.519 acidentes e 11 óbitos.

No início deste mês, um garoto de 4 anos morreu em Ibirá, na região norte do Estado, após ser picado por um escorpião. Os pais dele fizeram um pacto de suicídio, e o pai acabou não resistindo. A mãe permanece internada.

Segundo o biólogo e diretor do Museu Biológico do Instituto Butantan, Giuseppe Puorto, os casos de morte acontecem em proporções pequenas, se comparados ao número de acidentes, e os riscos são maiores para as crianças. "As crianças são o principal grupo de risco. As picadas matam, principalmente, pessoas de até 15 anos."

Ele diz que o período de maior incidência dos animais peçonhentos, na primavera e no verão, está ligado aos hábitos de vida dos bichos. "Não é por acaso e está totalmente ligado à forma de vida do animal. Eles ficam entocados no frio, porque as baixas temperaturas diminuem a possibilidade de encontrar alimentos", afirma. "Com o calor, serpentes e escorpiões começam a ter o metabolismo mais acelerado e saem mais."

Socorro. Puorto diz que os acidentes podem ser evitados com medidas simples, como evitar acúmulo de entulhos em casa, por exemplo, materiais de construção, e que a melhor forma de evitar tragédias é agir com rapidez.

"Não adianta se desesperar. Se possível, a pessoa deve lavar o local com água e sabão. Ela deve ser removida para o serviço médico mais próximo de casa. Outra orientação é tentar manter o membro atingido mais elevado para evitar o inchaço. Os primeiros socorros são simples e objetivos."

O especialista explica que não é necessário levar o animal para o hospital após ser picado, mas que medidas caseiras devem ser evitadas, como cortar ou furar o local, aplicar borra de café ou terra e amarrar o local da picada - prática que costuma ser adotada quando pessoas são vítimas de cobras.

"Isso pode ser uma porta de entrada para infecções secundárias", declara Puorto. "Ao fazer um torniquete, por exemplo, o organismo vai brigar com a falta de circulação e com o veneno concentrado, que vai atuar com mais intensidade."

O biólogo explica que, geralmente, a presença de um escorpião pode indicar que mais animais da mesma espécie estão no local, principalmente se houver baratas, das quais eles se alimentam. "A orientação não é matar o animal, mas tentar aplicar as regras de prevenção. Se a pessoa quiser capturá-lo, deve fazer com todo o cuidado possível ou acionar o Centro de Controle de Zoonoses."

Há soros específicos para tratar pessoas picadas por escorpiões, cobras, aranhas e para acidentes com lagartas. "No caso de abelhas, vespas e formigas, o problema é o ataque feito por vários animais."

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