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Teste com Aedes transgênico tem aprovação preliminar nos EUA

- Atualizado: 12 Março 2016 | 15h 33

FDA acatou avaliação ambiental da empresa Oxitec de que os testes não trarão impacto significativo para a saúde e o ambiente

SOROCABA – O Centro de Medicina Veterinária da agência norte-americana de alimentos e drogas dos Estados Unidos (FDA) concedeu nesta sexta-feira (11) aprovação preliminar para o uso de mosquitos geneticamente modificados em um teste de combate ao Aedes aegypti na Flórida. O órgão acatou avaliação ambiental apresentada pela empresa britânica Oxitec de que os testes não trarão impacto significativo para a saúde e o ambiente. Em 30 dias, o público pode se manifestar sobre a deliberação e as sugestões ou críticas serão analisadas pelas autoridades. Se a aprovação for mantida, os testes com o mosquito podem ser iniciados.

O mosquito 'Aedes aegypti' é transmissor do zika, da dengue e da chikungunya

O mosquito 'Aedes aegypti' é transmissor do zika, da dengue e da chikungunya

A Oxitec pretende usar o mosquito transgênico para controlar uma infestação do agente transmissor da dengue, da chikungunya e do vírus zika em Key Haven, no distrito de Monroe County, onde o clima quente e úmido permitiu a disseminação do Aedes aegypti. Milhões de mosquitos machos geneticamente modificados serão produzidos em laboratórios e, soltos no ambiente. Como machos não se alimentam de sangue, não trazem problemas à saúde da população. A modificação genética permite que, ao cruzarem com as fêmeas selvagens, tornem inviável a geração de uma nova prole. Os ovos eclodem, mas resultam em larvas que não chegam à idade adulta. 

A decisão da FDA foi tomada após cinco anos de discussões com moradores daquela região da Flórida. Houve até um abaixo-assinado contra o projeto. A Oxitec alegou que a espécie é invasora nos EUA e difícil de ser controlada com o uso de outros métodos.

No Brasil, a empresa já realizou testes com o mosquito modificado em duas localidades da Bahia e agora mantém um projeto no bairro Cecap/Eldorado, em Piracicaba, interior de São Paulo. Após dez meses do projeto, a tecnologia conseguiu reduzir o número de larvas do Aedes aegypti selvagem na área tratada em 82%. A prefeitura informou que, diante do sucesso no uso desse Aedes, o projeto será prorrogado no Cecap por mais um ano e ampliado para a região central do município, abrangendo uma área com 60 mil habitantes, durante dois anos.

O uso do mosquito transgênico no Brasil foi liberado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio), mas ainda aguarda aval da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).

Em fevereiro, ativistas ambientais entraram com representação no Ministério Público Estadual, em Piracicaba, pedindo a suspensão da soltura do mosquito transgênico até a realização de estudos envolvendo a associação do zika vírus com os casos de microcefalia. A promotoria do Meio Ambiente solicitou informações à prefeitura e à Oxitec e ainda deve decidir sobre a representação.

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