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Teste com 'pílula do câncer' em humanos é liberado por comissão

- Atualizado: 08 Março 2016 | 20h 34

Conep sugeriu que não haja limitação de ressarcimento ao participante da pesquisa com fosfoetanolamina sintética; Secretaria Estadual de Saúde informou que não foi notificada

SÃO PAULO - A pesquisa sobre os efeitos da fosfoetanolamina sintética, também conhecida como “pílula do câncer”, em pacientes com a doença recebeu sinal verde da Comissão Nacional de Ética em Pesquisa do Conselho Nacional de Saúde (Conep). A aprovação do protocolo foi feita na sexta-feira e permite que a Secretaria da Saúde do Estado de São Paulo comece em abril deste ano os estudos com o uso da substância em pessoas. 

A fosfoetanolamina é apresentada como alternativa terapêutica para o câncer por cientistas do Instituto de Química da Universidade de São Paulo (USP), câmpus de São Carlos. O composto não passou por testes clínicos e não tem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), de modo que não pode ser usado como medicamento.

Fosfoetanolamina sintética não tem autorização da Anvisa para ser usada como medicamento
Fosfoetanolamina sintética não tem autorização da Anvisa para ser usada como medicamento

Para aprovar o protocolo, a comissão exigiu que a pesquisa seja acompanhada pelo Comitê de Ética da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo. Também retirou a limitação de ressarcimento ao paciente que participará do estudo. O laboratório PDT Pharma, que vai sintetizar o composto a ser usado nos testes clínicos, espera iniciar a produção na última semana deste mês.

A Secretaria Estadual da Saúde informou que “não foi notificada sobre a aprovação e aguarda o parecer da Conep, até para saber se todos os requisitos para o desenvolvimento do protocolo de pesquisa foram atendidos”. O Instituto do Câncer do Estado de São Paulo vai acompanhar o andamento das análises da pesquisa, que envolve ainda outras instituições de saúde pública do Estado.

Candidatos. A primeira fase vai envolver dez pacientes para avaliação da dosagem de segurança da fosfoetanolamina. Em seguida, o estudo deve se estender a até mil pacientes. A pesquisa será feita em quatro centros que atendem pela rede estadual: A. C. Camargo, Hospital do Câncer de Jaú, Hospital do Câncer de Barretos e o Instituto do Câncer de São Paulo (Icesp).

O processo de seleção de interessados em participar dos testes ainda não foi iniciado, mas já foi informado que pacientes que estão em intervalo de tratamentos convencionais - ou em fases nas quais não há tratamentos disponíveis - estarão entre os selecionados.

Desenvolvida pelo professor aposentado Gilberto Chierice, do Instituto de Química da Universidade de São Paulo, em São Carlos, a fosfoetanolamina sintética tem sido o centro de polêmicas. Durante anos, a substância chegou a ser distribuída gratuitamente, mas, até o momento, não há nenhuma comprovação científica de que tem eficácia no tratamento de doenças. / COLABOROU JOSÉ MARIA TOMAZELA

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