Teste sanguíneo pode prever Alzheimer em pessoas saudáveis

Pesquisadores examinaram 525 pessoas saudáveis com mais de 70 anos durante cinco anos e identificaram dez marcadores. Estudo pode ser ponto de partida para novos exames ou tratamentos

EFE

10 Março 2014 | 15h13

LONDRES - Um novo teste sanguíneo pode detectar com 90% de precisão se uma pessoa desenvolverá Alzheimer ou deficiências cognitivas leves nos próximos três anos, segundo estudo publicado pela revista científica Nature Medicine.

A pesquisa, realizada por um grupo de especialistas do Centro Médico da Universidade de Georgetown, nos Estados Unidos, detectou que algumas alterações ocorridas no sangue podem indicar que o paciente tem Alzheimer em um estágio bem inicial.

Os pesquisadores examinaram 525 pessoas saudáveis com mais 70 anos durante cinco anos e identificaram dez fosfolípidos - componente da membrana celular - que poderiam ser empregados para apontar se os pacientes desenvolveriam deficiências cognitivas leves ou Alzheimer. Depois de várias comparações, os cientistas perceberam que aquelas pessoas que desenvolveram Alzheimer ou deficiências cognitivas leves tinham níveis mais baixos dos dez fofolípidos.

Importância. Esta é a primeira pesquisa científica que demonstra que há diferenças nos biomarcadores de sangue entre pessoas que desenvolverão Alzheimer nos próximos três anos daquelas que não terão a doença. Os pesquisadores acreditam que o estudo permitirá a descoberta de tratamentos para essas enfermidades antes que elas se manifestem ou terapias mais efetivas quando a doença já está instalada.

Segundo Howard Federoff, um dos autores do estudo, os testes sanguíneos "oferecem o potencial de identificar às pessoas que correm riscos de padecer de um declive cognitivo progressivo e pode mudar a maneira como pacientes, familiares e médicos lidam com a doença".

"O estado pré-clínico da enfermidade oferece uma janela de oportunidades que poderia modificar o curso da mesma. Biomarcadores como esses que conseguimos definir são críticos para o desenvolvimento e a aplicação de novas terapias", apontou Federoff.

Simon Ridley, responsável pela organização Alzheimer's Research no Reino Unido, afirmou que novos estudos precisam ser realizados para confirmar os resultado deste trabalho.

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