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Cláudia Trevisan

Texas monta armadilha e se arma contra ‘Aedes’

Divisão de Controle de Mosquitos já tem estratégia pronta para o zika; com 268 áreas demarcadas, pesquisadores recolhem e analisam insetos

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Cláudia Trevisan,
Enviada especial / Houston, Texas

28 Fevereiro 2016 | 03h00

HOUSTON - A virologista Cheryl Freeman trabalha há 21 anos na Divisão de Controle de Mosquitos do Condado de Harris, o terceiro maior dos Estados Unidos, com uma população de 4,3 milhões de pessoas. Suas maiores preocupações são a febre do Nilo Ocidental e a encefalite de Saint Louis, transmitidas pelo Culex, o pernilongo. Mas em poucas semanas o Aedes aegypti e a zika entrarão em sua rotina.

Freeman acaba de passar por um treinamento para realizar testes que identificam o vírus associado a casos de microcefalia no Brasil, como parte da preparação para sua inevitável chegada ao território do Texas. “Em algum momento, o vírus estará na nossa população. A dúvida não é ‘se’, mas ‘quando’”, disse ao Estado Umair Shah, diretor executivo do Serviço de Saúde Pública e Meio Ambiente do Condado de Harris, onde fica Houston, a quarta maior cidade americana.

O Aedes é um dos 26 tipos de mosquitos coletados regularmente para testes na região. “Ninguém prestava atenção ao zika até a microcefalia”, afirmou. Além do treinamento de pessoal, a Divisão de Controle de Mosquitos comprou equipamentos para realização dos testes e aumentou o número de armadilhas de Aedes.

Apesar de considerar inevitável a chegada do zika, Shah busca retardá-la. Sua prioridade é monitorar os viajantes que voltam de países infectados e apresentam sintomas da doença. O primeiro caso do tipo foi registrado em janeiro. Depois disso, houve mais seis doentes com zika no Condado de Harris. Essas pessoas são orientadas a fazer de tudo para não serem picadas por mosquitos do Texas, o que daria início à transmissão local. As medidas mais eficazes são uso de repelente e permanência em locais fechados com ar-condicionado ligado.

Mapa. A Divisão de Controle de Mosquitos de Harris é comandada por Mustapha Debboun, que em março estará em Maceió para uma conferência internacional sobre o combate ao Aedes. Focado no Culex, o combate aos voadores locais é feito em 268 áreas demarcadas do condado, que recolhem amostras da população local de mosquitos todas as semanas entre os meses de abril e maio a novembro. Os insetos são congelados e separados por tipo e sexo. Portadoras dos vírus, só as fêmeas são examinadas para a detecção da existência de infecções.

Os resultados dos exames alimentam um mapa com indicações de regiões problemáticas, para as quais são despachados caminhões fumigadores, que atuam durante a noite. Se moradores de Harris registrarem casos de transmissão local de zika, a resposta de Debboun será enfática: recolher amostras dos insetos das regiões em que a pessoa esteve e exterminar todos os demais.

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