Paul Rogers/The New York Times
Paul Rogers/The New York Times

Como diminuir o risco de desenvolver o câncer de mama

Uma em cada oito americanas chegará a desenvolvê-lo ao longo da vida; o que as mulheres podem fazer para evitá-lo?

Jane E. Brody, The New York Times

29 Maio 2017 | 03h00

NOVA YORK - O medo do câncer de mama é muito difundido, mas o que muitas mulheres não percebem é que com a adoção de alguns hábitos de vida, podem evitá-lo. As práticas descritas a seguir podem também nos resguardar de outras doenças perigosas, como as cardíacas e a diabete.

Sem dúvida, as mulheres têm muitas razões para temer o câncer de mama; afinal, a doença é muito comum. Uma em cada oito americanas chegará a desenvolvê-lo ao longo da vida. A Sociedade Norte-Americana do Câncer calcula que, este ano, serão diagnosticados 252.710 novos casos invasivos e que 40.610 mulheres morrerão em consequência desse mal.

A mamografia constante é considerada a forma mais eficiente de redução desses números, embora os especialistas continuem discutindo quem deve fazer o exame, com que frequência e a partir de que idade, mas pouco ou quase nada é dito sobre o que a mulher pode fazer sozinha para reduzir as probabilidades de desenvolver a moléstia.

Uma das principais atitudes é, na verdade, uma inação: não fumar. A incidência do fumo caiu significativamente nos últimos 50 anos, mas todo dia ainda vejo, nas ruas de Nova York, jovens e adolescentes com o cigarro na mão. Um estudo conduzido ao longo de dez anos entre 102.098 mulheres na Noruega e na Suécia concluiu que, comparadas às não fumantes, aquelas que fumavam dez ou mais cigarros por dia, durante vinte anos ou mais, tinham trinta por cento mais chances de desenvolver um câncer de mama invasivo; as garotas que começaram antes dos quinze, então, tinham quase 50 por cento mais chances.

Um editorial do Journal of Clinical Oncology, do ano passado, afirmava que até vinte mil mulheres nos EUA continuam fumando, mesmo depois de diagnosticadas com a doença. Segundo os autores, Dra. Barbara A. Parker e Dr. John P. Pierce, da Universidade da Califórnia em San Diego, as pacientes que param de fumar obtêm muito mais benefícios da quimioterapia e radioterapia pós-operatórias.

Outro fator importante que pode ser controlado é o peso. Quanto mais cresce o índice de massa corpórea, ou IMC, mais aumentam as chances de surgimento de um câncer de mama, especialmente para quem acumula gordura ao redor da cintura. Isso porque, nessa região, ela é metabolicamente ativa, produzindo fatores de crescimento e hormônios, incluindo o estrogênio, que estimula o desenvolvimento de células cancerosas.

O Dr. Walter Willett, professor de Epidemiologia e Nutrição da Faculdade de Saúde Pública T.H. Chan de Harvard, disse à Nutrition Action Healthletter, em 2010: "Talvez a coisa mais importante que a mulher possa fazer para reduzir o risco de ter um câncer de mama é evitar engordar ao longo da vida adulta."

O sobrepeso também diminui as chances de sobreviver ao problema, embora não se saiba se o emagrecimento após o diagnóstico reforce a garantia da remissão. Minha sugestão: não espere provas definitivas, já que a eliminação dos quilos a mais também reduz o risco de doenças cardíacas, diabete e diversos outros tipos de câncer.

Um terceiro fator indiscutivelmente relacionado ao risco do câncer de mama é o consumo de bebidas alcoólicas. Mulheres que tomam de dois a cinco drinques por dia têm 40 por cento mais probabilidades de desenvolver a doença que aquelas que não bebem. De fato, basta um drinque por dia para aumentar essa probabilidade em sete por cento.

A ingestão de álcool afeta o nível de hormônios sexuais que aumentam o risco de câncer tanto nas mulheres que estão na pré como na pós-menopausa. Entre as que já se trataram do mal, tomar o equivalente a três ou quatro drinques por semana eleva o risco de recorrência, especialmente entre aquelas que estão na pós-menopausa e as que são obesas ou têm sobrepeso.

Entretanto, uma bebida de vez em quando não é problema. Sendo sobrevivente de um câncer de mama há 18 anos, continuo tomando minha bebida, dois drinques por semana, no máximo, mesmo que geralmente não tome nada.

Em relação ao que comer, vou lhes dar uma chance para adivinhar. Sim, a dieta considerada mais eficiente no combate das doenças cardíacas é também a mais eficaz contra o câncer de mama – e se concentra nos legumes e verduras ricos em fibras, frutas e grãos integrais, estimulando o consumo reduzido de proteína, como a carne vermelha, e de gorduras saturadas, e o mínimo de alimentos e bebidas doces.

Uma análise recente de quinze estudos de projeção descobriu o menor risco de câncer de mama entre as mulheres com maior consumo de frutas, verduras e legumes. Entretanto, a relação mais marcante não foi encontrada entre as que alteraram seus hábitos depois do diagnóstico da doença, mas sim entre as que começaram a consumir esses alimentos no início da vida e continuaram na vida adulta.

Especialmente protetores são os que contêm substâncias chamadas carotenoides, os pigmentos cor de laranja das plantas, precursores da vitamina A. Elas estão presentes na batata doce, na cenoura e na abóbora, mas também em verduras de folhas escuras como espinafre e couve e em frutas como melão e tomate.

Em relação à soja, ainda há controvérsias. Embora as asiáticas, que consomem muitas variedades desse alimento a vida inteira, tenham uma das menores taxas de incidência de câncer de mama, a isoflavona, substância supostamente protetora do grão, não resultou em nenhum benefício entre as mulheres que seguem hábitos alimentares ocidentais. E os especialistas alertam para o perigo de ingerir suplementos do composto, que é fonte de alta concentração do estrogênio da planta.

É bom também evitar as gorduras saturadas. Embora não haja, em termos gerais, uma relação entre os produtos lácteos e o risco de câncer de mama, alimentos desse tipo, com alta concentração de gordura como sorvetes, queijos e leite integral, que naturalmente contêm estrogênio, podem encurtar a vida das sobreviventes.

Baseada em diversos estudos, incluindo um acompanhamento de vinte anos de jovens enfermeiras, a Sociedade Norte-Americana do Câncer sugere que as mulheres restrinjam o consumo de carne vermelha (de vaca, porco, e carneiro) a duas refeições por semana e limitem ainda mais – ou evitem – opções como bacon, linguiça, frios e salsichas.

E agora, um dos meus temas favoritos: a atividade física. O exercício regular não só ajuda a prevenir o câncer de mama e promover a recuperação da doença, como também protege contra muitas outras doenças crônicas e podem ajudar a mulher a manter um peso normal.

Mais de 50 análises conduzidas aqui nos EUA e em inúmeros outros países concluíram que as mulheres ativas têm menor risco de câncer de mama e menor taxa de mortalidade se o desenvolverem.

Você não precisa se tornar atleta ou correr a maratona para garantir proteção; atividades como a caminhada intensa também são eficazes, especialmente se forem feitas durante uma hora por dia, mas a verdade é que até meia hora diária é melhor que nada.

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