Toxina de veneno de escorpião pode ser útil para pacientes cardíacos

Substância evita que as células de veia enxertada em cirurgia se reproduzam em excesso e bloqueiem o sangue

estadão.com.br, estadão.com.br

22 Outubro 2010 | 15h15

Uma toxina encontrada no veneno de um escorpião da América Central, o Centruroides margaritatus, pode ajudar a reduzir as falhas em cirurgias coronárias, diz pesquisa da Universidade de Leeds, no Reino Unido.

 

documento Potent suppression of vascular smooth muscle cell migration and human neointimal hyperplasia by KV1.3 channel blockers (íntegra do estudo)

 

O estudo, publicado online pelo periódico Cardiovascular Research, informa que uma das toxinas do escorpião, a margatoxina, é pelo menos 100 vezes mais potente na prevenção de hiperplasia neointimal que qualquer outro composto.

 

Essa hiperplasia é a resposta do vaso sanguíneo a ferimentos. Ela desencadeia o crescimento de novas células, causando obstrução crônica da parte interna do vaso.

 

Quando uma veia é enxertada no coração durante a cirurgia coronária, a reação ao ferimento entra em ação, à medida que a veia tenta se adaptar ao novo ambiente e à diferença de pressão circulatória.

 

O crescimento de novas células ajuda a fortalecer a veia, mas o crescimento interno restringe o fluxo de sangue e pode causar o fracasso do enxerto.

 

A potência da margatoxina na supressão do mecanismo surpreendeu os pesquisadores, disse, por meio de nota, o pesquisador David Beech, principal autor do artigo que descreve a descoberta. "Estamos falando de umas poucas moléculas serem necessárias para obter o efeito", disse ele.

 

A toxina atua inibindo a atividade de um canal específico de íon de potássio, um poro na membrana da célula que se abre e se fecha em resposta a sinais elétricos e, indiretamente, aumenta a passagem de íons de cálcio.

 

O pesquisador disse que a margatoxina provavelmente não se prestará ao uso como droga injetável ou de uso oral, mas poderia ser usada como spray a ser aplicado diretamente na veia, antes do enxerto.

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