Transplante de mãos converte destros em canhotos, diz estudo

Cientistas não sabem por quê, após enxertos, o cérebro passa a preferir a mão esquerda em vez da direita

Associated Press,

07 Abril 2009 | 11h10

Quando pacientes se submetem a transplantes das duas mãos, o cérebro restabelece a conexão com a mão esquerda muito mais rápido que com a direita, diz uma equipe de cientistas franceses.

 

A amostra do estudo é pequena, apenas dois pacientes, mas ambos eram destros antes de perder as mãos, e ambos seguiram um padrão de conexão no qual o cérebro foi mais rápido com a mão esquerda. O trabalho, encabeçado por Angela Sirigu, do Centro de Neurociência Cognitiva da Universidade de Lyon, na França, é descrito na edição desta terça-feira, 7, do periódico Proceedings of the National Academy of Science.

 

A pesquisa mostra que, mesmo anos após a perda das mãos, o cérebro continua capaz de se reorganizar para reconhecer e conectar-se a membros transplantados.

 

O estudo também aparece poucos dias depois de médicos franceses, em uma operação de 30 horas, terem concluído o primeiro transplante simultâneo parcial do rosto e de mãos já realizado no mundo. O paciente havia sido vítima de um incêndio em 2004.

 

A equipe de Sirgiu usou ressonância magnética para estudar o cérebro de pessoas que haviam perdido ambas as mãos e ver como a região motora que controla o movimento respondia após o implante de mãos novas.

 

O primeiro caso envolveu LB, um home de 20 anos ferido em 2000, que recebeu os transplantes em 2003, depois de ter usado próteses por algum tempo.

 

Ele passou por exames periódicos e os pesquisadores descobriram que seu cérebro restabelecera conexões nervosas para controlar a mão esquerda em 10 meses, enquanto que foram necessários 26 meses para completar a conexão da mão direita.

 

"A despeito de LB ter sido destro e de que, após a amputação, ter usado a prótese preferencialmente na mão direita, a preferência de mão mudou da direita para a esquerda depois do enxerto", informam os cientistas.

 

O segundo paciente estudado, CD, tinha 46 anos quando perdeu as duas mãos em 1996, e recebeu o transplante duplo em 2000. Ele foi testado pelos cientistas em 2004, 51 meses após a cirurgia. Fortes conexões com o cérebro foram detectadas na mão esquerda, mas não na direita.

 

Os pesquisadores dizem que serão necessários mais estudos para determinar o que leva o cérebro a conectar-se de forma mais eficiente com a nova mão esquerda no caso desses pacientes.

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