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Uma taça todo dia?

Na sexta feira, a ministra da saúde do Reino Unido lançou novas recomendações em relação ao consumo de álcool, que derrubam o mito que uma taça diária de vinho tinto faz bem para a saúde. Beber todo dia, mesmo que moderadamente, segundo as novas orientações, aumenta o risco de diversos tipos de câncer e de outras doenças, além de dificultar a perda de peso. As autoridades temem que as pessoas estejam consumindo mais álcool, em parte, pelo conceito equivocado que esse hábito pode trazer benefícios. As informações são do jornal inglês Daily Mail.

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Jairo Bouer

10 Janeiro 2016 | 03h00

Uma das novas recomendações é que as pessoas façam pausas com a bebida em, pelo menos, dois a três dias da semana. Outra novidade é que o consumo máximo de álcool nos dias em que se bebe seja de duas a três unidades diárias (14 por semana), o mesmo nível recomendado para as mulheres. Antes esse índice ficava em três a quatro unidades diárias (21 por semana) para os homens. Cada unidade equivale a meia taça de vinho, uma latinha de cerveja ou uma dose de destilado.

A ideia central das novas orientações é que fique claro para a população que não existe um limite seguro de consumo de álcool e mesmo o consumo baixo ou moderado aumenta o risco de câncer e de outras doenças.

Alguns críticos dessa política dizem que não há evidências científicas claras que justifiquem a mudança, a primeira grande alteração nas recomendações sobre o consumo de bebida nos últimos 20 anos. Para eles, há um exagero do governo, que assume uma posição excessivamente tutorial.

A recomendação anterior, de 1995, propagou a ideia de que um pequeno consumo diário de vinho tinto diminuiria o risco de um ataque do coração. Hoje se acredita que os riscos superam os ganhos e uma dieta adequada e a atividade física regular têm um peso muito maior na saúde cardíaca. Os eventuais benefícios funcionariam apenas em mulheres com mais de 55 anos e, mesmo assim, naquelas que bebem só cinco unidades por semana.

Além disso, os dados atuais sugerem que mesmo uma única taça por dia aumenta em 13% o risco de câncer de mama. O consumo moderado diário também eleva o risco de doenças hepáticas, derrames e enfartes, além de outros tipos de câncer de esôfago, boca, garganta, fígado e bexiga.

Hoje, apesar da tendência de queda de consumo de álcool no Reino Unido nas últimas décadas, cerca de 20% dos homens e 10% das mulheres bebem todos os dias ou quase todos os dias. Mulheres com salários elevados, casais de meia-idade que estão “de bem com a vida” e aposentados estão entre os grupos em que o consumo de álcool mais têm aumentado.

O novo relatório também recomenda que mulheres grávidas evitem beber qualquer quantidade de álcool durante toda a gestação, pelos possíveis riscos para a saúde do feto.

Mais álcool em tempos de recessão. Um novo estudo, divulgado na semana passada, sugere que em tempos de crise econômica o consumo de bebida pode aumentar de maneira importante na força de trabalho.

Pesquisadores da Universidade de Buffalo, nos EUA, avaliaram o impacto da recessão de 2007 a 2009 no consumo de álcool de 5 mil trabalhadores norte-americanos. Segundo eles, as pessoas passam a beber mais depois de encerrarem seu expediente, o que pode trazer problemas familiares e sociais, além de uma perda da produtividade pelo impacto da ressaca na saúde.

Trabalhos anteriores já tinham relacionado recessão econômica com maior consumo de bebida entre os trabalhadores que perdem seu emprego, mas esse novo estudo, publicado no periódico Psychology of Addictive Behaviors, mostra que quem está na ativa também pode passar a beber mais quando o “bolso aperta”.

Esse padrão de comportamento é mais comum entre os trabalhadores de meia-idade do que entre os mais jovens, provavelmente pela maior responsabilidade financeira dessa fatia da população. Serve como mais um alerta de saúde para o difícil momento que nosso País enfrenta.

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