Unicamp testa automatização de diagnóstico parasitológico de fezes

Proposta de pesquisadores é garantir resultados de alta eficácia com baixo porcentual de erro

Agência Fapesp

02 Julho 2010 | 17h07

SÃO PAULO - Após desenvolver um método considerado mais sensível em relação aos processos convencionais para diagnóstico parasitológico de fezes, um grupo de pesquisadores começa a testar a automatização do sistema.

 

De acordo com Jancarlo Ferreira Gomes, pesquisador dos Institutos de Biologia e de Computação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a proposta da técnica é garantir diagnósticos de alta eficácia com baixo porcentual de erro. "Com a automatização, pretendemos ampliar a modalidade do diagnóstico parasitológico de fezes", disse à Agência Fapesp.

 

A automatização envolve duas etapas. A primeira se refere à análise de imagens e à regulagem e aquisição de imagens e detecção de estruturas parasitárias (em lâmina de microscopia) por computador.

 

"A segunda foi justamente promover a interação do equipamento - que contém câmera digital, platina motorizada e microscópio - com o computador, para a realização dos procedimentos de forma automática", explicou Gomes.

 

O processo automatizado ainda está em fase de testes, mas os resultados obtidos até agora são promissores. "Nossa intenção é que, em mais um ano, a automatização esteja concluída e pronta para ser industrializada e comercializada", disse.

 

A técnica TF-Test foi criada em 2004 por pesquisadores da Unicamp, em colaboração com colegas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual Paulista (Unesp) e da Universidade Taubaté (Unitau), e em parceria com a empresa Immunoassay.

 

Desde 2005, o kit é comercializado para testes manuais. Atualmente, são vendidos cerca de 45 mil kits por mês a laboratórios de análises clínicas. Gomes e colegas concluíram a técnica a partir do projeto "Desenvolvimento de novos kits destinados ao diagnóstico de parasitoses intestinais em amostras fecais", coordenado por Sumie Hoshino Shimizu, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da USP, e apoiado pelo Programa Fapesp na modalidade Pesquisa Inovativa em Pequenas Empresas (Pipe).

 

"Fizemos melhorias no TF-Test e obtivemos imagens de maior qualidade para detecção de estruturas parasitárias. A sensibilidade da técnica está acima de 90%", afirmou Gomes. Segundo ele, a maior parte dos métodos convencionais empregados nos exames de fezes para detectar parasitas apresenta diagnóstico com sensibilidade entre 48% e 76%.

 

Para aprimorar o diagnóstico laboratorial, o grupo finalizou em 2008 um projeto para análises de imagens de parasitas intestinais, apoiado pela Fapesp por meio de um Auxílio à Pesquisa.

 

Na atual etapa, que envolve o melhoramento da imagem, foram obtidas lâminas mais limpas de impurezas fecais, comuns nos testes convencionais, e com maior concentração de parasitas que as convencionais, segundo Gomes. Esse novo desdobramento da técnica foi denominado de TF-Test Modified.

 

A técnica concentra as amostras, fazendo o diagnóstico mesmo em casos mais difíceis, em que o indivíduo apresenta baixa e moderada intensidade de infecção. "Nos testes tradicionais, muitos casos dão como resultados falsos negativos", disse.

 

Gomes afirma ainda que a técnica é abrangente e permite detectar a maioria das espécies parasitárias. Ao fazer um levantamento epidemiológico com o TF-Test convencional, concluído no início de 2010, com 737 alunos da Escola Municipal Professor José Jurandyr Piva, no município de Pedreira (SP), os pesquisadores registraram alta positividade de enteroparasitas.

 

Os resultados apontaram que 342 crianças estavam com enteropasitoses, sendo que 194 apresentavam parasitismo simples e 148 poliparasitismo."Atualmente, trabalhamos com a validação das 16 espécies de helmintos e protozoários mais comuns no Brasil. Nos estudos que realizamos, procuramos trabalhar a prevalência e não a patogenicidade, pois nosso interesse foi validar a tecnologia", disse.

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