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USP recruta voluntários para teste com derivado da maconha

Canabidiol, substância que ainda é vista com desconfiança, teria a capacidade de melhorar a qualidade do sono

RIBEIRÃO PRETO - Pessoas na faixa de 18 a 50 anos, que não usem medicamentos e não tenham distúrbio de sono estão sendo procuradas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) para serem voluntárias em uma pesquisa com o canabidiol. A substância, que tem sido motivo de polêmica no Brasil por ser proveniente da maconha, teria a capacidade de agir no cérebro e interferir no sono.

O objetivo do estudo é justamente saber como isso ocorre e se realmente ela é capaz de fazer com que a pessoa durma melhor. Por isso serão escolhidos 40 voluntários que precisarão passar duas noites no Hospital das Clínicas de Ribeirão. Pesquisas desenvolvidas em outros países já indicam a capacidade do canabidiol no tratamento da insônia, assim como outros trabalhos realizados na própria USP.

Pesquisa com canabidiol deve ser concluída em 2015
Pesquisa com canabidiol deve ser concluída em 2015

A pesquisa, intitulada "Efeitos da administração de canabidiol no ciclo do sono, vigília em pacientes saudáveis", vai examinar as pessoas que serão submetidas a exames enquanto dormem. Em uma das noites no hospital os voluntários tomarão o canabidiol e na outra um placebo, tendo em ambas  o sono mapeado para se descobrir como a substância age no cérebro. O estudo deve ser concluído em 2015. Quem quiser se candidatar ao teste precisa morar em Ribeirão Preto e preencher um  questionário

Segundo o professor José Alexandre de Souza Crippa, que é orientador da pesquisa, testes em animais e até mesmo em alguns humanos mostraram de fato que o canabidiol pode ter um benefício muito grande para tratar dos distúrbios do sono. Ele explica que as medicações que são usadas hoje no tratamento causam problemas como a dependência, algo que não ocorre com a nova substância.

Para Crippa, que estuda o canabidiol há anos, esta pode ser uma nova opção também para a Doença de Parkinson, ansiedade, psicose e outras doenças. Ele acredita que o fato de a novidade vir da erva causa uma confusão que acaba dificultando a legalização do seu uso. "Pensam que estão liberando a maconha, mas este é apenas um dos 400 compostos que estão nela", falou ao Estado.

Entraves. Para o pesquisador, o fato de os Estados Unidos e a Europa já terem liberado o canabidiol é sinal de que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou neste ano mais de 30 pacientes com problemas diversos a adquirirem o remédio, que é importado. Crippa acredita que a liberação no país talvez aconteça ainda este ano. 

Hoje para ter o canabidiol é preciso, além do laudo médico, enviar outros documentos para a análise da Anvisa. No caso das pesquisas também não é fácil conseguir a liberação, mas nesse caso já foi autorizado o uso nos testes, sendo a psicóloga Ila Marques Porto Linares a pesquisadora responsável pelo trabalho.