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USP recruta voluntários para teste com derivado da maconha

Rene Moreira - Especial para O Estado

18 Agosto 2014 | 17h 05

Canabidiol, substância que ainda é vista com desconfiança, teria a capacidade de melhorar a qualidade do sono

RIBEIRÃO PRETO - Pessoas na faixa de 18 a 50 anos, que não usem medicamentos e não tenham distúrbio de sono estão sendo procuradas pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP) da Universidade de São Paulo (USP) para serem voluntárias em uma pesquisa com o canabidiol. A substância, que tem sido motivo de polêmica no Brasil por ser proveniente da maconha, teria a capacidade de agir no cérebro e interferir no sono.

O objetivo do estudo é justamente saber como isso ocorre e se realmente ela é capaz de fazer com que a pessoa durma melhor. Por isso serão escolhidos 40 voluntários que precisarão passar duas noites no Hospital das Clínicas de Ribeirão. Pesquisas desenvolvidas em outros países já indicam a capacidade do canabidiol no tratamento da insônia, assim como outros trabalhos realizados na própria USP.

Reuters
Pesquisa com canabidiol deve ser concluída em 2015

A pesquisa, intitulada "Efeitos da administração de canabidiol no ciclo do sono, vigília em pacientes saudáveis", vai examinar as pessoas que serão submetidas a exames enquanto dormem. Em uma das noites no hospital os voluntários tomarão o canabidiol e na outra um placebo, tendo em ambas  o sono mapeado para se descobrir como a substância age no cérebro. O estudo deve ser concluído em 2015. Quem quiser se candidatar ao teste precisa morar em Ribeirão Preto e preencher um  questionário

Segundo o professor José Alexandre de Souza Crippa, que é orientador da pesquisa, testes em animais e até mesmo em alguns humanos mostraram de fato que o canabidiol pode ter um benefício muito grande para tratar dos distúrbios do sono. Ele explica que as medicações que são usadas hoje no tratamento causam problemas como a dependência, algo que não ocorre com a nova substância.

Para Crippa, que estuda o canabidiol há anos, esta pode ser uma nova opção também para a Doença de Parkinson, ansiedade, psicose e outras doenças. Ele acredita que o fato de a novidade vir da erva causa uma confusão que acaba dificultando a legalização do seu uso. "Pensam que estão liberando a maconha, mas este é apenas um dos 400 compostos que estão nela", falou ao Estado.

Entraves. Para o pesquisador, o fato de os Estados Unidos e a Europa já terem liberado o canabidiol é sinal de que o Brasil deveria seguir o mesmo caminho. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já autorizou neste ano mais de 30 pacientes com problemas diversos a adquirirem o remédio, que é importado. Crippa acredita que a liberação no país talvez aconteça ainda este ano. 

Hoje para ter o canabidiol é preciso, além do laudo médico, enviar outros documentos para a análise da Anvisa. No caso das pesquisas também não é fácil conseguir a liberação, mas nesse caso já foi autorizado o uso nos testes, sendo a psicóloga Ila Marques Porto Linares a pesquisadora responsável pelo trabalho.

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