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Vacina contra a dengue será vendida a até R$ 138, determina Anvisa

Imunizante autorizado no Brasil, da Sanofi, terá preço mínimo de R$ 132,76, segundo tabela divulgada nesta segunda

O Estado de S. Paulo

25 Julho 2016 | 20h31

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) definiu o preço da vacina contra a dengue autorizada no Brasil. O imunizante, produzido pela empresa Sanofi, deverá custar entre R$ 132,76 e R$ 138,53. Os valores foram divulgados nesta segunda-feira, 25, pela agência. 

A vacina da Sanofi, chamada de Dengvaxia, é a única com registro na Anvisa até o momento. O tratamento nesse caso inclui três doses, com seis meses de intervalo entre elas. 

Outros imunizantes estão sendo produzidos contra a doença - entre eles a vacina do Instituto Butantã, que iniciou testes com voluntários em junho deste ano. 

Paraná. O Estado do Paraná vai dar início nesta terça-feira, 26, a uma campanha de vacinação contra a dengue com a vacina da Sanofi. O número de doses não foi informado pela Secretaria de Estado da Saúde (Sesa)

A campanha terá início às 16 horas, na área portuária, em Paranaguá (PR), considerada uma das regiões mais afetadas pelo mosquito Aedes aegypti. Até o final de junho, o Estado registrava 52.237 casos e 61 mortes. A doença já atingiu 319, dos 399 municípios paranaenses. Este número pode superar o recorde de 2012-2013, quando 54.176 pessoas foram infectadas.

Avaliação. Para o presidente da Sociedade Brasileira de Dengue e Arboviroses, Artur Timerman avalia que a vacina deveria passar por mais estudos antes de ser introduzida no Brasil, tendo em vista a tripla epidemia existente no País, com a circulação de dengue, zika e chikungunya.

"Estamos com três vírus circulando e precisamos saber qual é a interação de um vírus com o outro. Não sabemos qual a influência de anticorpos contra a dengue em manifestações de chikungunya e zika."

Timerman diz ainda que, o fato de a vacina não ser indicada para pessoas com menos de 9 anos de idade é outro problema. "O que temos visto é a tendência de a dengue se tornar uma doença pediátrica, porque temos uma população que já foi exposta ao vírus e, quem está mais sujeito a ter, são as crianças, que não serão vacinadas."

Paulo Olzon, clínico e infectologista da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), afirma que a imunização é a melhor forma de conter a epidemia de dengue no Brasil. "Temos uma situação sem controle e não há muita expectativa de melhora combatendo o mosquito, porque o número de criadouros é infinito. A grande solução é encontrar uma vacina."

Olzon diz que, mesmo que toda a população não seja vacinada -  a imunização será feita dos 9 aos 45 anos, a população será impactada positivamente. "Com qualquer vacina, quando diminui o número de pessoas que podem ser infectadas, quem não se vacinar também se beneficia. Um imunizado deixa de ser ponto de infecção para outra pessoa."

Diretora médica da Sanofi Pasteur, Sheila Homsani diz que a vacina é segura e que, em testes em humanos, o imunizante não apresentou riscos para agravar infecções pelo vírus da zika. "O Brasil participou das pesquisas com 3.550 pessoas. Não observamos casos de zika graves depois da vacina. Não existem estudos em humanos provando que quem teve dengue vai ter zika mais grave, existem estudos in vitro que mostram que anticorpos poderiam causar infecções maiores."/ PAULA FELIX E JULIO CESAR LIMA, ESPECIAL PARA O ESTADO

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