James Gathany/CDC/AP
James Gathany/CDC/AP

Vacina contra o zika vírus só poderá ser usada em três anos

Acordo entre Brasil e Estados Unidos foi fechado nesta quarta-feira com objetivo de acelerar a produção conjunta do imunizante

Jamil Chade, Correspondente de O Estado de S. Paulo

27 Janeiro 2016 | 11h24

GENEBRA - Brasil e Estados Unidos fecharam um acordo para acelerar a produção de uma vacina conjunta contra o zika vírus. Mas, no cenário mais otimista, o produto estará no mercado somente em três anos. 

Nesta quarta-feira, 27, em Genebra, na Suíça, o chefe da delegação brasileira nas reuniões da Organização Mundial da Saúde (OMS), Jarbas Barbosa, reuniu-se com representantes do governo americano. O acordo foi de que haveria um compromisso de ambos os lados para "acelerar" os trabalhos por uma vacina entre as instituições de pesquisa dos dois países. A iniciativa havia sido antecipada com exclusividade pelo Estado em sua edição de terça-feira, 26

Mas, segundo Barbosa, uma vacina apenas poderia começar de fato a ser usada em três anos. "Normalmente, vacinas podem levar até dez anos para serem produzidas. Nossa meta é a de encurtar esse prazo de forma importante", disse o chefe da delegação brasileira, que também é presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).  

Um primeiro grupo de especialistas brasileiros vai à Universidade do Texas na semana que vem. Segundo Barbosa, trata-se de pesquisadores do Instituto Evandro Chagas. "Já estamos iniciando a cooperação", disse. "Tanto do lado brasileiro como americano, existe a esperança de que isso acelere e que possamos ter, em um tempo muito menor, mais essa arma contra o zika vírus", afirmou.

Questionado sobre prazos, Barbosa apontou que o cenário é de três anos até que todos os testes sejam feitos. "É difícil estabelecer um prazo exato. Mas, com esse esforço conjunto, estamos falando em um tempo de 30%, 40% ou 50% inferior a um desenvolvimento normal. Podemos talvez falar num universo de três anos para ter uma vacina desenvolvida", explicou o brasileiro.

Em Quito, no Equador, a presidente Dilma Rousseff (PT) declarou nesta terça-feira que a busca pela vacina é um de seus objetivos. "Se ainda hoje nós não temos uma vacina, temos certeza de que iremos ter, mas vai levar um tempo. A melhor vacina contra o vírus da zika é o combate de cada um de nós, do governo, mas também da sociedade, eliminando todos os focos nos quais o mosquito vive e se reproduz", disse. 

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.