Wilton Junior|Estadão
Wilton Junior|Estadão

Vacinação contra febre amarela será antecipada no Rio

Imunização terá início independentemente do resultado de contraprova das amostras de cinco primatas encontrados mortos em matas da cidade

Clarissa Thomé, O Estado de S. Paulo

18 Março 2017 | 16h04

RIO - A cidade do Rio de Janeiro e a Região Metropolitana terão antecipada a vacinação contra a febre amarela, independentemente do resultado de contraprova das amostras de cinco primatas encontrados mortos em matas da cidade. A Secretaria de Estado de Saúde já solicitou doses da vacina ao Ministério da Saúde e espera divulgar o novo cronograma neste domingo, 19. Até o fim do mês, a previsão é que todos os 92 municípios do Estado já tenham começado a vacinação. 

Exames feitos pelo Instituto Evandro Chagas, no Pará, e pela Fundação Oswaldo Cruz, nas amostras de macacos encontrados mortos em matas na capital  tiveram resultados contraditórios e novos testes foram realizados. Na sexta-feira, 17, o Estado teve as primeiras mortes de macacos por febre amarela confirmadas pela Secretaria  de Estado de Saúde. Os animais foram encontrados em áreas rurais de São Sebastião do Alto, na Região Serrana, e Campos dos Goytacazes, no norte fluminense. A população dos dois municípios já vinha sendo vacinada.

"A avaliação que estamos fazendo da capital é que o quadro epidemiológico da cidade não corresponde às ocorrências de macacos com a febre amarela [não há casos da doença em humanos como costuma ocorrer após a febre amarela se manifestar em primatas]. De qualquer maneira, o que estamos buscando é antecipar a vacinação mesmo que o resultado dê negativo", afirmou o secretário de estado de saúde, Luiz Antônio Teixeira Jr.

Até sexta, o Estado do Rio tinha, segundo a Secretaria estadual de Saúde, dois casos de febre amarela confirmados em seres humanos. Um deles, o do pedreiro Watila Santos, foi fatal. Alessandro Couto está em tratamento no Hospital dos Servidores do Estado, na capital do Estado. As duas ocorrências foram em Casimiro de Abreu, na região da Baixada Litorânea. Estão sob investigação  35 suspeitas da doença. Outras 21 já foram descartadas.

"O mais importante é ressaltar que nós  precisamos vacinar as pessoas que moram em propriedades rurais ou dentro da floresta. A população urbana, até pelo que vem ocorrendo dentro de Minas Gerais, Espírito Santo e São Paulo, tem menor risco”.

O anúncio do cronograma de vacinação para o Rio de Janeiro e Região Metropolitana ocorrerá depois que o Ministério da Saúde se manifestar a respeito do pedido do Rio. Desde o início do ano, quando começaram a ocorrer casos da doença, o Estado iniciou a vacinação em 30 munícipios que fazem divisa com Minas, Espírito Santo e São Paulo.

“Se não tivermos casos nessa população, é porque a estratégia de bloqueio vacinal foi correta. Casimiro fica a 500 km dessa divisa”, afirmou o secretário. Ainda não há casos de mortes de macaco em Casimiro.

Teixeira Jr esteve na manhã deste sábado, 18, em Petrópolis, na Região Serrana. A cidade entrou no rol das que têm vacinação prioritária, depois que um macaco foi encontrado morto, com suspeita de febre amarela, em Juiz de Fora (MG).

Procura. Apesar da manhã fria e chuvosa , moradores da cidade lotaram as filas dos dois postos de saúde que iniciaram a imunização. A cidade recebeu 75 mil doses, inicialmente. A partir de segunda-feira, 20, o prefeito Bernardo Rossi montará equipes volantes para levar a vacina para pessoas que moram em áreas rurais e próximas de mata. A orientação é que a população evite trilhas ecológicas e entrar na mata, enquanto a vacina não fizer efeito.

Juliana Santiago, de 30 anos, levou os cinco filhos e três sobrinhos, com idades entre 2 e 12 anos, para se vacinarem na sexta-feira. O filho dela, Matheus, de 11, disse que não pretendia esperar a vacina fazer efeito. “Eu sou macho. Entro na mata para pegar goiaba, e para pegar pipa, quando voa e fica presa nas árvores”, disse o menino. A mãe está preocupada com a proximidade da casa da família da floresta. “Trouxe todo mundo para vacinar logo porque é difícil segurar essas crianças em casa”.

 

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