Vaticano diz que caso de Eluana se caracteriza como eutanásia

Santa Sé condenou decisão da justiça italiana, ao mesmo tempo em que defendeu o 'testamento biológico'

Ansa e Efe,

04 Fevereiro 2009 | 19h36

O presidente da Pontifícia Academia para a Vida, monsenhor Salvatore Rino Fisichella, condenou a decisão da justiça italiana de permitir a interrupção da alimentação artificial de Eluana Englaro e ratificou que "estamos diante de um caso de eutanásia em todos os efeitos".   Veja também:  Você concorda com a decisão de deixar Eluana morrer? Perguntas e respostas: entenda o caso Governo verifica idoneidade de centro que recebeu Eluana Italiana é transferida para hospital onde ocorrerá eutanásia Papa diz que eutanásia é solução falsa para sofrimento Clínica não desligará aparelhos de italiana em estado vegetativo Líder de Toscana pede que clínicas façam eutanásia de Eluana Hospitais se negam a fazer eutanásia autorizada na Itália Eutanásia de mulher que vegeta há 17 anos divide Itália   "Eluana não é um vegetal, é uma pessoa", defendeu Fisichella em entrevista à imprensa local, explicando que concorda com a lei de "testamento biológico" que é tramitada no Parlamento e que, se aprovada, instituirá que a alimentação e a hidratação são formas de sustento vital.   Segundo o prelado, a lei de "testamento biológico" é "equilibrada, porque acolhe as instâncias do cidadão que quer exprimir um juízo próprio sobre uma cura, que seja mais ou menos proporcional de ser aplicado, mas que defende que a alimentação e a hidratação não são terapias, portanto não podem ser negadas".   A família Englaro "não pode pedir silêncio. Como pode haver silêncio enquanto há uma sentença para retirar a água e os alimentos de uma mulher?", protestou Fisichella, referindo-se ao pedido dos parentes da italiana, para que outras pessoas evitassem fazer declarações até a morte da paciente.   Eluana, de 37 anos e que há 17 está em estado vegetativo, chegou na terça-feira, 3, à clínica La Quiete, localizada em Udine, noroeste da Itália, para iniciar o processo de suspensão de alimentos e água. Sua primeira noite no local transcorreu em clima de espera e silêncio.   Segundo o protocolo médico, a italiana ainda será alimentada e hidratada normalmente por três dias. O quarto em que Eluana está, no primeiro andar, possui seguranças 24h. No entanto, espera-se uma autorização para transferi-la para um outro apartamento no terceiro andar, onde a alimentação será interrompida.   Na primeira noite houve uma manifestação em frente à clínica para pedir a aprovação da lei de testamento biológico. Para a tarde desta quarta-feira estava programado outro protesto para que a vida de Eluana seja preservada.   A decisão da Corte de Cassação foi tomada no dia 13 de novembro do ano passado, contrariando o Vaticano e o governo italiano de centro-direita, os quais alegam que isto é uma eutanásia ativa, proibida pela Constituição do país.    Alimentação reduzida   O neurologista de Eluana Englaro, a italiana de 38 anos em coma vegetativo desde 1992, assegurou que a partir de quinta-feira, 5, pode começar a reduzir a alimentação da jovem, que se mantém viva graças à ajuda de aparelhos.   Se a afirmação do neurologista Carlo Alberto Defanti for confirmada, os prazos previstos para a redução da alimentação de Eluana serão antecipados em um dia.   Segundo Defanti, durante esse processo que a levará à morte, a jovem não passará pelo "sofrimento tormentoso da sede", devido às condições de seu estado de coma vegetativo.   No entanto, o médico reconheceu que ela receberá pequenas doses de sedativos para garantir a ausência de sede.   Por outro lado, o Governo italiano continua buscando por alguma possibilidade legal que evite que a clínica La Quiete, em Udine (nordeste), acolha a morte da jovem, que entrou em estado de coma vegetativo após um acidente e que teve a eutanásia autorizada pela Justiça italiana em novembro do ano passado.   A subsecretária de Saúde italiana, Eugenia Roccella, assegurou que "o protocolo de morte para Eluana Englaro é inaplicável", baseando-se nas explicações fornecidas por autoridades médicas da região de Friuli-Venezia Giulia, à qual pertence Udine.   Depois de todas as especulações sobre o caso, os responsáveis por La Quiete emitiram um comunicado no qual reiteram a intenção de executar a sentença da Justiça italiana.   Na nota, assinada pela presidente da clínica, Ines Domenicali, La Quiete assegura que a redução da alimentação de Eluana, que poderia levar a sua morte em um prazo de 15 dias, será realizada com ajuda de pessoal externo.

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