J. Adam Fenster/Universidade de Rochester
J. Adam Fenster/Universidade de Rochester

Videogames de ação levam a decisões mais rápidas e precisas

Universidade americana testa jogos de ação e estratégia; resposta chega a ser até 25% mais veloz

estadão.com.br

13 Setembro 2010 | 16h57

Cientistas especializados em cognição da Universidade de Rochester, nos Estados Unidos, descobriram que jogar videogames de ação treina as pessoas para tomar decisões certas mais rapidamente.

Os pesquisadores descobriram que jogadores de videogame desenvolvem uma sensibilidade para o que está acontecendo ao redor deles, e esse benefício não apenas os torna melhor nesses jogos, mas também aumenta uma grande variedade de habilidades gerais, que podem ajudar em atividades diárias, como dirigir, ler pequenas publicações, manter contato com amigos em uma multidão e andar pela cidade.

No estudo, publicado na revista Current Biology, os autores Daphne Bavelier, Alexandre Pouget e C. Shawn Green relatam que os videogames podem proporcionar um treinamento forte para acelerar as reações de vários tipos de situações da vida real.

Os jogos de videogame têm crescido em popularidade a ponto de 68% dos lares americanos terem jogadores, de acordo com um relatório feito no ano passado pela Entertainment Software Association.

Os pesquisadores fizeram testes com dezenas de jovens entre 18 e 25 anos que não eram normalmente jogadores de videogame. Os participantes foram divididos em dois grupos: um jogou 50 horas de games de ação como "Call of Duty 2" e "Unreal Tournament", e o outro jogou 50 horas do game de estratégia "The Sims 2".

Após esse período de treinamento, todos os voluntários foram convidados a tomar decisões rápidas em várias tarefas concebidas pelos cientistas. Nas tarefas, os participantes tinham de olhar para uma tela, analisar o que estava acontecendo e responder a uma pergunta simples sobre a ação no menor tempo possível. Para assegurar que o efeito não se limitasse apenas à percepção visual, os jovens também tiveram de completar uma tarefa análoga, puramente auditiva.

Os jogadores dos games de ação foram até 25% mais rápidos para chegar a uma conclusão e responder corretamente a tantas perguntas quanto os colegas dos games de estratégia.

"Não é o caso em que os jogadores de games de ação são rápidos no gatilho e menos precisos: eles são tão precisos e também mais rápidos", afirma Bavelier. "Eles tomaram decisões mais corretas por unidade de tempo. Se você for um cirurgião ou estiver no meio de um campo de batalha, isso pode fazer toda a diferença", completa a pesquisadora.

As simulações neurais dos autores lançam luz sobre por que os jogadores de ação aumentaram a capacidade de tomar decisões. As pessoas tomam decisões baseadas em probabilidades que elas calculam e refinam constantemente em suas mentes, explica Bavelier.

Esse processo é chamado de inferência probabilística. O cérebro acumula continuamente pequenos pedaços de informação visual ou auditiva, enquanto a pessoa investiga uma cena, eventualmente encontrando o suficiente para perceber o que é uma decisão acertada.

"As decisões nunca são preto e branco", diz a cientista. "O cérebro está sempre computando probabilidades. Enquanto você dirige, por exemplo, pode ver um movimento à sua direita, estimar se está em rota de colisão e, com base nessa probabilidade, tomar uma decisão binária: frear ou não frear", explica.

O cérebro de jogadores de games de ação é um colecionador mais eficiente de informações visuais e auditivas e, portanto, chega a uma informação necessária para tomar decisão muito mais rapidamente que outros jogadores.

O novo estudo se baseia em um trabalho anterior de Bavelier e colegas, que mostrou que os videogames melhoram a visão, tornando os jogadores mais sensíveis a tonalidades de cor ligeiramente diferentes.

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