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Saúde

UTI

Zika pode causar meningoencefalite em adultos, diz estudo

Homem de 81 anos infectado com zika em um cruzeiro no Pacífico Sul, desenvolveu a doença e não se recuperou um mês depois

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O Estado de S. Paulo

10 Março 2016 | 19h51

O atual surto de zika pode causar meningoencefalite em adultos, uma inflamação das meninges e do cérebro, segundo um estudo publicado nesta quinta-feira, 10, pela revista especializada The New England Journal of Medicine.

Esta é a conclusão de um grupo de cientistas franceses após a descoberta de que um homem de 81 anos infectado com zika em um cruzeiro no Pacífico Sul, região onde o vírus circula, desenvolveu meningoencefalite e não se recuperou um mês depois. “Os médicos devem estar a par de que o vírus do zika pode estar associado com a meningoencefalite”, advertem os autores do estudo.

Vários vírus podem causar meningite, encefalite e a combinação de ambas, entre eles o vírus do Nilo Ocidental, transmitido por um mosquito diferente do da zika. Por isso, os cientistas descartaram que o paciente de 81 anos, cujo caso foi relatado em 10 de janeiro, tivesse qualquer outro vírus e detectaram zika no líquido cefalorraquidiano. “Com nosso conhecimento, trata-se do primeiro caso do gênero a ser descrito na história”, indicou à agência noticiosa France-Presse o médico Guillaume Carteaux.

O homem não teve nenhum problema de saúde durante as quatro semanas que o cruzeiro durou, mas dez dias após o término da viagem ele foi internado em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI). O paciente desenvolveu febre alta e teve vermelhidão na pele nas seguintes 48 horas.

Até agora, o possível vínculo da zika com a microcefalia, outras más-formações congênitas e a Síndrome de Guillain-Barré foram os temas mais urgentes nas pesquisas científicas sobre o atual surto do vírus, que afeta sobretudo a América Latina. A comunidade científica espera ter nos próximos três ou quatro meses os primeiros estudos que joguem luz sobre outras possíveis complicações de saúde associadas ao vírus.

Apenas o Brasil e a Polinésia Francesa reportaram cientificamente casos de microcefalia (bebês com um cérebro de tamanho menor do que o normal) vinculados à zika, mas a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) prevê que nos próximos meses sejam identificados os primeiros casos na Colômbia, onde o surto foi detectado em outubro. 

Além disso, em seis países ou territórios foi registrado um aumento de casos da síndrome de Guillain-Barré possivelmente associado ao vírus: Brasil, Polinésia Francesa, El Salvador, Colômbia, Venezuela e Suriname. / COM AGÊNCIAS INTERNACIONAIS

 

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