Zika se propaga cinco vezes mais rápido que dengue

Alerta é de pesquisador da Fundação Fiocruz em Ribeirão Preto, que analisa dispersão na cidade; pelo menos 12 laboratórios investigam vacina

Rene Moreira, Espacial para O Estado de S.Paulo

09 Fevereiro 2016 | 05h00

O avanço de casos de zika e microcefalia no interior paulista preocupa a Fundação Osvaldo Cruz (Fiocruz), que avalia que o vírus se propaga em velocidade pelo menos cinco vezes maior do que a dengue. Ontem, a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que pelo menos 12 grupos de pesquisa estão trabalhando na criação de vacinas contra o zika. Mas o trabalho deve demorar anos.

Com base nos registros, a Fiocruz, instituição vinculada ao Ministério da Saúde, tem analisado a contaminação e se indagado sobre o avanço rápido. Rodrigo Stabile, vice-presidente de Pesquisa e Laboratórios de Referência da Osvaldo Cruz, ressaltou que a primeira epidemia de dengue, no Rio de Janeiro, levou cinco anos para atingir o Brasil. “O vírus do zika atingiu o mesmo patamar da dengue em menos de um ano.”

Stabile é de Ribeirão Preto, cidade que soma 800 casos suspeitos de zika. Para ele, trata-se de um registro preocupante, mas a maior preocupação deve ser com as 140 grávidas sobre suspeita de infecção. Isso por causa da provável associação do vírus com o avanço dos casos de microcefalia no País. As gestantes estão sendo orientadas pela Fiocruz a tomarem alguns cuidados, como não compartilhar talheres, já que um estudo apontou a presença do vírus na saliva.

Para Stabile, mesmo não havendo a confirmação de que pode ocorrer a transmissão dessa forma, pelo fato de o vírus estar ativo na saliva “o princípio da precaução é importante”.

OMS e Europa. A Organização Mundial de Saúde informou que está selecionando pesquisas existentes na área de zika para determinar quais devem ter prioridade. A escolha desse grupo de estudos prioritários será revisada por um comitê de assessores da entidade “o mais breve possível. Os trabalhos com maior potencial são aqueles relacionados a outras doenças da mesma família dos flavivírus, como a dengue e a febre amarela. 

A OMS ainda lembrou que, na última semana, fez um chamamento às companhias interessadas em apresentar seus potenciais produtos farmacêuticos para serem avaliados e aprovados, caso tenham o nível exigido de qualidade. De acordo com a organização, existem trabalhos desenvolvidos para terapias profiláticas, semelhante ao que é feito com a malária. A organização ainda informou que atua no suporte para facilitar os trâmites regulatórios para a aprovação dos testes clínicos nos países. Também ajuda no compartilhamento de informações sobre as pesquisas. 

Em Paris, a Agência Europeia de Medicamentos anunciou nesta segunda-feira, a criação de um grupo de especialistas em zika destinado a acelerar o desenvolvimento de tratamentos ou vacinas contra o vírus. O surto da doença já atinge 33 países, mas nenhum deles no continente. 

A formação desse grupo, segundo a entidade europeia, foi decidida logo após a OMS decretar emergência mundial por causa da microcefalia nas áreas onde há zika. Esses pesquisadores terão a tarefa de ajudar na pesquisa de medicamentos contra a doença, formulando questões científicas e regulatórias. 

O grupo deverá ficar em contato com empresas que começaram a trabalhar com vacinas ou terapias e revisar todos os dados sobre o vírus.

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