Dia de vacinar

Estadão

09 Abril 2010 | 19h17

O Ministério da Saúde divulgou hoje que menos de um quarto dos grupos prioritários para a vacinação contra a gripe suína receberam a dose até agora. Uma pena que, diferentemente de outras campanhas de vacinação, os brasileiros ainda não tenham atendido ao chamado para a necessária proteção dos mais vulneráveis a um vírus novo e com grande potencial para levar a internações e óbitos nessas faixas da população.

Amanhã, quando haverá postos volantes de vacina e postos de saúde abertos em todo o País, é uma oportunidade para pessoas com doenças crônicas de até 59 anos, jovens saudáveis de 20 a 29 anos, grávidas e crianças de 6 a 23 meses e 29 dias_os grupos chamados para a imunização até agora _colocarem a vacina em dia.

A pior cobertura vacinal no momento é justamente de quem mais precisa, os doentes crônicos, que concentraram 75% dos óbitos no ano passado. O que também pode ser explicado pela pequena divulgação da ampla lista de doenças cobertas feita pelo ministério e secretarias da saúde. Aí vai ela:

Pessoas com grande obesidade (Grau III), incluídas atualmente nos seguintes parâmetros:

– crianças com idade igual ou maior que 10 anos com índice de massa corporal (IMC, peso dividido pela altura ao quadrado) igual ou maior que 25;

– criança e adolescente com idade maior de 10 anos e menor de 18 anos com IMC igual ou maior que 35;

– adolescentes e adultos com idade igual ou maior que 18 anos, com IMC maior de 40.

· Indivíduos com doença respiratória crônica desde a infância (ex: fibrose cística, displasia broncopulmonar)

· Indivíduos asmáticos (portadores das formas graves, conforme definições do protocolo da Sociedade Brasileira de Pneumologia)

· Indivíduos com doença neuromuscular com comprometimento da função respiratória (ex: distrofia neuromuscular)

· Pessoas com imunodepressão por uso de medicação ou relacionada às doenças crônicas

· Pessoas com diabetes

· Pessoas com doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) e outras doenças respiratórias crônicas com insuficiência respiratória crônica (ex: fibrose pulmonar, sequelas de tuberculose, pneumoconioses)

· Pessoas com doença hepática: atresia biliar, cirrose, hepatite crônica com alteração da função hepática e/ou terapêutica antiviral

· Pessoas com doença renal: insuficiência renal crônica, principalmente em doentes em diálise

· Pessoas com doença hematológica: hemoglobinopatias

· Pessoas com terapêutica contínua com salicilatos, especialmente indivíduos com idade igual ou menor que 18 anos (ex: doença reumática auto-imune, doença de Kawasaki)

· Pessoas portadoras da síndrome clínica de insuficiência cardíaca

· Pessoas portadoras de cardiopatia estrutural com repercussão clínica e/ou hemodinâmica:

– Hipertensão arterial pulmonar

– Valvulopatia

· Pessoas com cardiopatia isquêmica com disfunção ventricular (fração de ejeção do ventrículo esquerdo [FEVE]menor do que 0.40)

· Pessoa com cardiopatia hipertensiva com disfunção ventricular [FEVE]menor do que 0.40

· Pessoa com cardiopatias congênitas cianóticas

· Pessoas com cardiopatias congênitas acianóticas, não corrigidas cirurgicamente ou por intervenção percutânea

· Pessoas com miocardiopatias (Dilatada, Hipertrófica ou Restritiva)
· Pessoas com pericardiopatias

O Ministério da Saúde afirma que falsos boatos contra a vacina, divulgados principalmente via internet, ajudaram a fazer a cobertura vacinal insuficiente. Mas até agora não existe qualquer evento adverso grave comprovado.

Todo o fármaco pode trazer algum tipo de reação adversa. Em milhões de doses de vacinas contra a gripe suína que estão sendo aplicadas (cerca de 12 milhões no Brasil até o momento), é possível que surjam casos de suspeitas de problemas de saúde que possam ter sido causados pela imunização. Mas não se apavore, eles são raros e, em maioria absoluta, casos leves.

Quando você receber e-mails, boatos, de pessoas que passaram mal, o raciocínio científico deve prevalecer. Lembre-se que os problemas de saúde corriqueiros continuam ocorrendo durante a vacinação _resfriados e gripes causados por outros vírus _além de problemas mais graves. E que cada caso é um caso na hora de se investigar eventos adversos. É preciso saber, por exemplo, se a pessoa vacinada era doente ou não tinha uma condição que contra indicasse a vacina, por exemplo. Além disso, é necessário verificar se a vacina foi aplicada corretamente, por exemplo. Portanto um caso suspeito está muito longe de ser algo a ser levado em conta.

É importante dizer ainda que, ao ir aos serviços de saúde, muitas pessoas poderão aproveitar para colocar a carteirinha em dia e receber outras vacinas. Que por sua vez também podem causar reações adversas passageiras.

No caso da vacina da gripe suína, a Organização Mundial da Saúde estima uma incidência aproximada de 10 a 100 eventos adversos pós vacinação a cada 100 mil doses distribuídas, a maioria absoluta sem gravidade.

Todo o fármaco tem seus riscos, inclusive os remédios “naturais” e chazinhos milagrosos que não passam pelo crivo científico. Engraçado que esses todo mundo toma sem medo! Já uma vacina precisa ser aprovada pelas autoridades de saúde. E centenas de especialistas revisam trabalhos científicos para verificar se os seus benefícios são maiores do que os riscos antes do OK para o imunizante _ o que foi o caso da vacina contra o A(H1N1).