É gripe? Fique em casa !

Estadão

16 Maio 2009 | 10h34

Os EUA vivem uma epidemia da nova gripe suína em plena primavera e, seguindo o que é correto contra qualquer gripe, têm recomendado fortemente que as pessoas doentes fiquem em casa, relaxem, tenham hábitos saudáveis e cubram a boca para tossir e espirrar com lenços descartáveis, além de lavar sempre as mãos.

Por aqui é diferente. A gripe suína ainda não causou surtos e epidemias e a época da gripe comum está apenas começando, mas predomina a temporada da propaganda de remédios contra a doença, que insistem para você sair de casa e continuar trabalhando loucamente, desde que tome X.

O Brasil nem de perto tem uma circulação de vírus da gripe comum como os EUA todos anos e, até agora, não tem transmissão sustentável da nova gripe suína. Mas os governos têm passado mensagens tímidas contra tomar remédios por conta própria. Enquanto isso, o bombardeio do marketing dos antigripais, antitérmicos e analgésicos que têm propaganda livre não para e tem destacado as drogas como algo indispensável para quem quer ser bem sucedido no trabalho e até no amor, mesmo que “podre de gripe”.

Já viu aquela? O marido aparentemente gripado teme dizer que não vai ao jantar de aniversário de casamento. Toma o remédios e lá vai o casal feliz.

Na realidade, sabe-se que apenas duas drogas (e de propaganda proibida no País) poderiam tratar a gripe, mas ainda assim de uma maneira muito limitada, como explica a infectologista Nancy Bellei, da Unifesp. Na realidade, sua eficácia, para o paciente, é reduzir em um a dois dias os sintomas, e só. E isto se administradas em até 48 horas após o início de sintomas, como a febre alta. O problema é que grande parte das pessoas só vai ao médico depois deste prazo.

O resto das drogas combate sintomas, mas não trata coisa alguma e pode até mascarar esta nova gripe e qualquer outra doença respiratória, adiando a ida ao serviço de saúde. Quantos já não acreditaram na propaganda, se encheram de comprimidos para driblar a febre e coriza e não descobriram depois que tinham um quadro grave de sinusite, por exemplo?

Qual mensagem deve predominar quando a temporada de gripe se inicia com o agravante de um vírus novo? Ir para casa ou não parar de forma alguma? O País conseguiu interferir na propaganda dos analgésicos e antitérmicos de venda livre que poderiam piorar a dengue. E agora, o que deve ser feito? Quero saber sua opinião.