Nota fiscal para cuidar da vida

Estadão

29 Abril 2010 | 08h00

A Santa Casa de São Paulo, mais antiga instituição de saúde da capital paulista, manteve-se por anos com a ajuda das doações e heranças de abastadas famílias. Hoje uma das principais prestadoras de serviços do SUS, ainda tem a credibilidade inabalada: foi a entidade que mais recebeu doações espontâneas de cupons do programa Nota Fiscal Paulista, do governo estadual, que devolve ao contribuinte parte do imposto recolhido.

Foram R$ 26 mil, relata o superintendente Antônio Carlos Forte, que serviram para empurrar um antigo projeto: a instalação de uma casa de cuidados paliativos para 400 crianças com doenças terminais, serviço público inexistente atualmente na capital. As primeiras doações via nota foram usadas para uma grande campanha, chamada Cupom é Vida, que pretende arrecadar R$ 5 milhões no total para a viabilização do serviço.

Os cuidados paliativos são um meio de garantir qualidade ao fim da vida. Foram recentemente reconhecidos pelo Código de Ética Médica, que prevê que nenhum médico deve insistir em tratamentos desnecessários quando todas as possibilidades terapêuticas se esgotaram. Como realizar uma cirurgia quando ela não será mais eficiente para conter um câncer.

O conselho, apesar de em 2006 ter tentado _e ter sido barrado pelo Judiciário_desistiu por enquanto de implantar a ortotanásia, que no âmbito legal significa cessar terapias quando não há mais possibilidade de cura, por exemplo desligar aparelhos de oxigenação.

Atualmente, existem serviços públicos de cuidados paliativos para adultos em São Paulo, mas crianças que necessitam do atendimento ficam sem opção. A ideia é que, além de evitar que pequenos pacientes sofram com dores e ofertar o apoio de equipes multidisciplinares com médicos, enfermeiros e psicólogos, entre outros, a casa atenda as famílias das crianças.

Antes mesmo do início oficial da campanha, que ocorre hoje, a Santa Casa já recebeu R$ 450 mil.

Há até solução para os paranoicos. Muitas pessoas simplesmente não se cadastram no programa da nota fiscal e não pedem o cupom por paranoia de que investiguem seus passos _o que é uma bobagem. Mas se for o seu caso, basta depositar o cupom sem o CPF na urna do hospital ou em outras que estarão espalhadas por empresas parceiras. Ou simplesmente enviá-las, via Correios, à Santa Casa. Eles também serão computados a favor do projeto.

Segundo promete Forte, haverá total transparência sobre o aproveitamento das doações, via site da instituição.