O partido da saúde e o partido da educação

Estadão

10 Junho 2009 | 18h30

Durante debate promovido nesta semana pelo Estadão, o ministro da Educação, Fernando Haddad, disse que vê no setor uma aglutinação de partidos e movimentos sociais em torno dos mesmos projetos, como os de reforço da formação dos professores. Falou disto quando questionado sobre como transformar as políticas que vigoram atualmente em políticas de Estado, afastando o risco de desmantelamento do que já foi construído.

“Tirando questões muito polêmicas e difíceis (como a reforma universitária, reconheceu), em todos os demais projetos foi possível construir a unidade. Penso que, à semelhança da Saúde, que já conseguiu esse avanço, eu creio ser possível dizer hoje que já há uma espécie de Partido da Educação no Congresso Nacional. Partido da Saúde todo mundo conhecia. O da Educação está se constituindo ao longo dos últimos anos.”

No campo da saúde, realmente, ainda que tenham surgido, nos últimos anos, vozes que defendem um Sistema Único de Saúde (SUS) só para os mais pobres, há uma ampla aliança de diferentes partidos em torno de suas bases, que são a universalidade (saúde pública para todos), a equidade (mais para os mais necessitados) e a integralidade das ações de saúde (garantir a cobertura de diferentes necessidades, da prevenção, saúde básica à alta complexidade, passando pela assistência farmacêutica).

Mas o partido da saúde também tem muito a aprender com o partido da educação, que nos últimos anos avançou claramente na construção de índices de avaliação do sistema que permitem à sociedade, mesmo com as diferenças regionais, ter um mínimo de controle sobre a qualidade dos serviços, cobrar de uma maneira mais objetiva e contundente.

Na saúde não é bem assim. Mesmo metas pactuadas raramente têm seus resultados exibidos com transparência. Claro que os desafios para a construção de índices são imensos, dada a diversidade de parâmetros _na Educação, há informações bem claras sobre qual é a demanda, sobre como ela deveria evoluir. Mas o próprio Ministério da Saúde já reconheceu a necessidade e vem prometendo um quadro mínimo de indicadores que permitam avaliações melhores das gestões.

Na Educação, muitos não gostam dos rankings elaborados pela imprensa com os resultados dos diversos índices e provas, mas, apesar de suas limitações, a verdade é que eles colocam na berlinda ministros, secretários, diretores, assessores, legisladores e fazem o País inteiro discutir o que importa.