Genética interfere mais na nota do aluno do que a escola

Giuliana Reginatto

12 Dezembro 2013 | 18h37

 

Tudo interfere no desempenho escolar:  a qualidade da escola, o estímulo que a criança recebe da família … Mas nada exerce mais impacto nisso do que a própria genética do aluno. É o que dizem os pesquisadores  da Universidade King’s College, de Londres, na Inglaterra. Eles chegaram a essa conclusão após um amplo estudo com 11 mil gêmeos, entre idênticos e não idênticos, divulgado nesta quinta-feira, dia 11, pela revista científica Plos One.

Os cientistas analisaram o desempenho dos voluntários no exame de certificado geral da educação secundária (GSCE), uma prova obrigatória realizada no fim do ensino médio no Reino Unido. Todos os gêmeos tinham 16 anos de idade.

De acordo com o estudo, as diferenças genéticas entre os estudantes explicam, em média, 58% da variação de pontuação nas principais disciplinas da prova – inglês, matemática e ciências. Em contrapartida, apenas 29% das diferenças na nota podem ser atribuídas a fatores ambientais, como as influências da escola, do bairro e da família. Além disso, os pesquisadores verificaram que a genética tem mais impacto no desempenho em ciências do que em humanas.

Gêmeos idênticos, dizem os pesquisadores, compartilham 100% de seus genes. Já os não idênticos têm em comum, em média, apenas metade dos genes. Assim, concluíram que, se as notas dos exames dos gêmeos idênticos são mais parecidas do que as dos gêmeos não idênticos, a diferença na pontuação do exame entre os dois conjuntos de gêmeos é devido à genética, e não à educação recebida e ou ao meio ambiente em que viviam os alunos.

Um dos autores do estudo, Robert Plomin , do Instituto de Psiquiatria da Universidade King’s College, disse que reconhecer a importância da predisposição natural de uma criança para algumas habilidades pode ajudar a melhorar o aprendizado. “É importante reconhecer o papel importante que a genética desempenha no sucesso escolar das crianças. Isso significa que os sistemas educacionais que são sensíveis às habilidades individuais e às necessidades das crianças, que são derivadas, em parte, de suas predisposições genéticas, poderiam melhorar o desempenho educacional”, disse.

Os pesquisadores salientam que não é possível dizer que o desempenho escolar de alguém é predeterminado pela genética. Não cabe, portanto,  responsabilizar os genes pelas notas baixa.   “Não estamos dizendo que a genética explica 60% do desempenho de um indivíduo, mas sim que a genética explica 60% das diferenças entre os indivíduos”, salientou Nicholas Shakeshaft, que coordenou a pesquisa.

Segundo o pesquisador Michael O’ Donovan, os resultados indicam que os ambientes também são importantes para os alunos. Além disso, ele frisa que melhorias nas estratégias educacionais sempre trarão benefícios. “Para os indivíduos que vivem nos extremos, nos melhores e nos piores ambientes, essa exposição pode fazer mais diferença na sua perspectiva educacional do que a genética”, declarou.  Em sua poinião,  mais pesquisas serão necessárias para avaliar as implicações dos resultados para as estratégias de ensino.

Os pesquisadores declararam no artigo que não há conflito de interesses no estudo

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