Gordinhos podem ser saudáveis?

Giuliana Reginatto

03 Dezembro 2013 | 23h37

A polêmica em torno da “obesidade saudável” ganhou mais um capítulo. Uma extensa revisão de estudos publicada hoje indica que o excesso de peso é sempre prejudicial à saúde, mesmo quando não há distúrbios metabólicos associados, como diabete, pressão alta e colesterol alterado.

Os resultados foram divulgados pela publicação científica norte-americana Annals of Internal Medicine. Alguns estudos anteriores, publicados nos últimos anos, chegaram a sugerir que pessoas obesas fisicamente ativas poderiam ser tão saudáveis quanto indivíduos magros. Segundo os autores da nova pesquisa, porém, a expressão “obesidade saudável” não passa de um mito.

Os autores avaliaram trabalhos publicados entre 1950 e 2013, que tiveram como base os dados de mais de 61 mil pessoas. Cada voluntário foi acompanhado ao longo de dez anos, em média. O resultado mais importante da análise é o que mostra um risco 24% maior de enfarte ou morte no período avaliado para pessoas acima do peso ideal (com obesidade ou sobrepeso) que não tinham problemas metabólicos na comparação com participantes que estavam com o peso saudável e também não tinham os distúrbios.

“A informação sugere que o aumento do peso corporal não é condição benigna, mesmo com a ausência de problemas metabólicos, e é um argumento contra o conceito de obesidade saudável”, declarou no estudo Ravi Retnakaran, professor associado da Universidade de Toronto, no Canadá.

Os autores argumentam que os estudos que apontam para a possibilidade de “obesidade saudável” foram, muitas vezes, realizados por períodos curtos de tempo, ou contaram com poucos participantes.

Contraponto. A polêmica ficou mais forte em setembro do ano passado, quando a revista científica European Heart Journal publicou um estudo abrangente, com os dados de 43.265 participantes, indicando que era possível ser saudável mesmo estando acima do peso – mas para isso era preciso ser fisicamente ativo, ou seja, praticar exercícios físicos regularmente.

* Os autores declaram no artigo que não há conflitos de interesse. Os pesquisadores têm vínculos com: Associação Canadense de Diabete, Universidade de Toronto, Hospital Monte Sinai e Ministério da Pesquisa e Inovação de Ontário

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