Adoçante pode ajudar a engordar, e não a emagrecer

Simone Iwasso

02 Agosto 2012 | 11h58

O uso contínuo de adoçantes artificiais pode ajudar a engordar e não a emagrecer, segundo algumas pesquisas e estudiosos que se dedicam ao tema, que é muito polêmico, controverso e está  longe de se esgotar. Ou seja, pelo que esses resultados sugerem até o momento, se você bebe refrigerantes zero ou light, coloca adoçante culinário em bolos e tortas, adoça o seu cafezinho com umas gotinhas todos os dias, prefere  o iogurte com adoçante, a bala com adoçante, você pode estar contribuindo para o aumento de peso no longo prazo, e não para a perda – como imagino que seja a busca da maioria das pessoas que opta por substituir o açúcar por esses produtos.

Além disso, outra pesquisa apontou que em camundongos o adoçante artificial provocou mais dependência do que a cocaína – a pesquisa não foi feita em humanos, servindo apenas como um indicativo de que é preciso um pouco de ponderação e bom senso.

(Antes de continuar, só faço uma ressalva: pessoas com diabetes, que têm uma restrição médica ao açúcar, se beneficiam muito com as possibilidades surgidas depois da comercialização dos adoçantes, isso é indiscutível. O cuidado e a mensagem para repensar o uso, ou o uso excessivo, se for o caso, é para quem não tem esse problema.)

Voltando ao tema, atualmente um dos maiores estudiosos do efeito dos adoçantes artificiais no organismo é o médico David Ludwig, um especialista em obesidade e perda de peso do Boston Children´s Hospital, entidade ligada à Universidade Harvard. Em um de seus artigos, publicado no periódico Jama, da Associação Médica Americana, ele explica que o adoçante tenta enganar o cérebro, levando para o organismo um sabor bastante doce, sem a devida compensação calórica associada a esse tipo de gosto.

Com isso, nosso cérebro fica esperando a recompensa e, como ela não aparece, ele estimula a vontade de comer. Como consequência, sem perceber, acabamos comendo mais e caindo em mais tentações gastronômicas do que cairíamos. Acabamos ficando com mais vontade de comer doce – uma vontade constante. Essa associação aparece também em uma pesquisa conduzida na Universidade do Texas, com mais de 5 mil adultos acompanhados durante um período de oito anos. A conclusão foi que os que consumiam mais produtos com adoçante ganharam mais peso em comparação com os que comiam açúcar.  Outra pesquisa, publicada no periódico científico International Journal of Obesity, também comprova esse aumento de peso.

“O adoçante artificial provoca um dissociação que nunca ocorreu antes entre o sabor doce e a ingestão calórica, que confunde nosso sistema regulatório, que foi adaptado para controlar a fome e o peso corporal”, explica David Ludwig. “Há muitas pesquisas que ainda precisam ser feitas. Mas, por enquanto, o conselho que eu daria para as pessoas é evitarem esse produto quando for possível, ou consumi-lo em quantidades pequenas.”

Como o próprio Ludwig afirma são algumas pesquisas incipientes que servem para acender um alerta e provocar uma reflexão sobre alguns produtos e a maneira como são consumidos, não para fechar uma posição sobre o assunto. O tema é polêmico – aliás, desde a liberação dos primeiros adoçantes houve uma grande controvérsia sobre o uso dessas substâncias, descobertas durante uma pesquisa para desenvolver um novo pesticida.

Novos estudos já estão sendo conduzidos, outros ainda deverão surgir, com mais evidências, que deverão informar mais sobre usos e efeitos e quantidades. Esse tipo de assunto exige muitos dados e acompanhamento por longos períodos. Mas vale a pena repensar, um pouco de açúcar, em alguns alimentos, pode não ser tão ruim. Assim como muitas bebidas e alimentos não precisam ser adoçados com nada, nem o café, nem o chá, nem o suco – pelo contrário, eles ficam melhores puros.

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