1° balanço da dengue do ano será divulgado na próxima semana

Demora na apresentação dos números foi justificada pelo receio de desmobilização diante de quadro favorável

Lígia Formenti, de O Estado de S. Paulo,

27 Fevereiro 2009 | 19h06

O primeiro balanço do ano de dengue deverá ser divulgado semana que vem. A demora na apresentação dos números, comparada com anos anteriores, foi justificada pelo ministério pelo receio de que, diante de um quadro teoricamente mais favorável, houvesse uma desmobilização nas ações de combate ao mosquito transmissor da doença. De acordo com o secretário adjunto da Secretaria de Vigilância em Saúde, Fabiano Pimenta, parte dos municípios também atrasou o repasse de dados para o ministério. Em vez de os números serem passados semanalmente, como é recomendado, as informações chegavam ao ministério a cada quinze dias.   Veja também: ES tem 5 mortes com suspeita de dengue hemorrágica Notificações de dengue superam 18 mil em três Estados Rio investiga supostas mortes por dengue este ano Mulher morre com suspeita de dengue hemorrágica em Araras  Especial: entenda a dengue e veja o balanço de 2008   Os números preliminares mostram que os casos estão centralizados em algumas regiões. Os locais que mais despertam atenção são Pará, Bahia, Acre, Roraima, áreas do Espírito Santo, Rio. Há ainda um cuidado especial com Minas Gerais, provocado pelo grande número de pessoas suscetíveis à doença. Caso haja um aumento da população do mosquito transmissor da doença, há condições propícias para a ocorrência de uma epidemia. "Há no Estado o que dizemos ser uma mola comprimida. Se houver descuido das ações de vigilância, o risco de um grande número de casos é alto", disse. Estes Estados receberam já em 2009 visitas de funcionários do ministério, cuja missão principal era auxiliar a desenhar estratégias para prevenção e combate à doença.   Pimenta afirmou que, neste ano, o ministério preferiu divulgar dados sobre a dengue quando houvesse um quadro um pouco mais consolidado. Ele lembrou que, em anos anteriores de epidemia, os primeiros indicadores mostravam uma situação relativamente tranquila e que, com o tempo, o cenário se modificou. O secretário-adjunto não quis adiantar quais os números da infecção neste ano. No entanto, há duas semanas, o ministro José Gomes Temporão afirmara que, nas três primeiras semanas de janeiro, o número contabilizado de dengue foi 50% menor do que em 2008.   "Não queremos passar uma falsa sensação de segurança. O número de casos da doença geralmente aumenta a partir de março", justifica Pimenta. Ele disse esperar que, a partir de março, municípios passem a informar semanalmente os indicadores da doença. "Em muitos locais, houve uma mudança na administração o que pode ter dificultado o trabalho. Mas a tendência é que a situação agora se normalize."

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